F5 Pelo Mundo

Um Passeio no Coração Sofrido das Gerais

Por Délio Pinheiro

No último mês de janeiro, já findo graças à incansável sanha do tempo, iniciei um novo trabalho. Agora me dedico às assessorias de comunicação do CAA, Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, e da AMA, Articulação Mineira de Agroecologia.
O CAA é uma ONG respeitadíssima, que se esforça há quase 25 anos para assegurar melhor qualidade de vida aos pequenos produtores rurais de comunidades tradicionais do Norte de Minas. Vazanteiros do rio São Francisco, índios xacriabás, comunidades quilombolas e geraizeiros, entre outros, se enquadram neste rol de prioridades do CAA. Trata-se de um trabalho sério, com muitos serviços prestados ao povo, sobretudo o mais humilde, da região.
Uma das minhas pretensões neste ano de 2010 é não trabalhar em rádio, coisa que fiz na maior parte de minha vida até aqui. Refiro-me a trabalhar em uma emissora, uma vez que alguns dos trabalhos que consegui para este ano incluem, justamente, programas radiofônicos, para prefeituras, Câmaras Municipais e o próprio CAA. Mas este trabalho em “rádio” será um trabalho prazeroso, feito nos cinco dias da semana que Deus planejou para trabalharmos. Deixando os fins de semana para descansar, viajar e outras coisas que fiquei tanto tempo praticamente impedido de fazer graças ao trabalho diário em uma emissora.
Mas vamos ao que interessa, logo no meu primeiro dia de trabalho no CAA fui escalado para fazer uma visita ao tradicional Brejo dos Crioulos, comunidade quilombola que se localiza no vórtice de três municípios do Norte de Minas: São João da Ponte, Verdelândia e Varzelândia. A luta e os costumes daquela gente já foram estudados em teses de mestrado, doutorado e são bastante conhecidas também fora dos anais acadêmicos. Mas era a primeira vez que eu iria conhecer in loco tal realidade e qual não foi a minha surpresa ao me deparar com algumas das pessoas mais gentis que conheci na vida até agora.
Sim, são os quilombolas do Brejo dos Crioulos. Esta denominação abrange os moradores de algumas comunidades como Caxambu, Furado de Modesto e Orion, todas nas redondezas. Mas é como Brejo dos Crioulos, nome forte e acolhedor, que eles se uniram para lutar.

Criança dop Brejo

Saímos de Montes Claros na fumaça do dia, quando o alvorecer anunciou uma quarta-feira de sol. No carro do CAA, além de mim, estavam Carlos Dayrell, Adriana Rocha e minha querida ex-colega de Jornalismo, Helen Santa Rosa, que precisou se despedir de seu filho de apenas seis meses, deixando-o com a avó, antes de pegarmos a estrada. Ócios do ofício.
Chegamos à comunidade de Araruba por volta das 10h da manhã, após sacolejarmos durante mais de três horas em estradas de asfalto e de terra. Ao chegarmos conheci uma figura muito divertida chamada Nequinha. Ele vive fazendo gracejos, alguns incompreensíveis, e truques de mágica, estes muito bons. Além de possuir uma inocência comovente, Nequinha é uma espécie de guia, quando ciceroneia os visitantes pelas entranhas do território quilombola já reconquistado na justiça. Uma ínfima parte daquilo que eles, efetivamente, são merecedores.
Tudo lá é simples. As casas, as acomodações para as reuniões, os hábitos. Mas nesta simplicidade esconde-se uma notável vontade de viver e de se libertar das amarras da injustiça. Os pioneiros da região, que viviam em um quilombo nos tempos árduos da escravidão, prezavam por sua liberdade, e os descendentes destes escravos, alguns bastante estudados e escolados na vida, se dedicam ao mesmo metié tantos anos depois.
A luta parece nunca cessar. Os capitães do mato de hoje são ricos fazendeiros que se apossaram da terra há muitas décadas acenando com suas falsas escrituras, expropriando os moradores de suas campinas férteis e de seu jeito de viver, confinando-os em lugarejos empoeirados, sem horta, sem plantação. Lugarejos como Araruba.
Mas a alma dessa gente clama por justiça e liberdade, como diz a música do Grupo Agreste: “Pois quem nasceu pra ser guerreiro não aceita cativeiro”. E eles foram à luta. Já reconquistaram um naco importante da suas antigas terras e esperam que o STJ, onde foi parar a pendência, possa autorizar a ocupação de todo o território.
Enquanto isso não acontece a luta continua. Tive a honra de ser chamado por eles de “aliado”, de ter almoçado sua comida simples e salgada, de ter fotografado seus filhos e seus pais e ter conhecido “Seo” Elizeu, um negro retinto, de quase 80 anos, com seus olhos faiscantes e vivazes e uma energia invejável. Basta informar que sua esposa ainda está na casa dos 20 anos e o casal tem filhos ainda pequerruchos.

Pai e Filho no Brejo dos Crioulos

Ao final da visita, devidamente municiado de fotografias e emoções, ainda fui presenteado com uma garrafa pet até o gargalo com fava, uma delícia produzida por lá. Uma gentileza de “seo” Elizeu para seus amigos e “aliados”. Não precisava.
Conhecer essa gente batalhadora foi o melhor presente que podia ganhar.

Mocinha na janela

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01/03/2010 Posted by | Cultura | | 3 comentários

Um novo trono na MPB

Por Délio Pinheiro

Em uma recente viagem de carro ocorreu-me de ouvir um álbum chamado “duetos” de Roberto Carlos. O que se seguiu na audição mais ou menos atenta foi um CD cheio de altos e baixos. E acho que estas características simplistas são úteis para entender a carreira daquele que, para muitos, é o “Rei”.
Se por um lado o álbum, que tem faixas pinçadas nos indefectíveis e inevitáveis especiais de fim de ano na TV, tem momentos brilhantes como quando Roberto canta com seu parceiro Erasmo um medley de rockões sessentistas como “tutti frutti” no especial de 77 e quando ele passa uma quase descompostura em Tom Jobim no dueto de Ligia do especial de 1978, tem também momentos bobos e pouco inspirados como na canja com Ivete Sangalo e com Chitãozinho e Xororó, para citar apenas dois.Este é o problema de Roberto Carlos, a falta de maior critério em suas escolhas. Seja no repertório insuportável que ele adotou desde os anos 80 com suas xaropadas românticas e músicas religiosas e, o que é pior, com as verdadeiras derrapadas artísticas como nas músicas bobas dedicadas a gordinhas, baixinhas, mulheres que usam óculos, mulheres que tem o pé grande e outras que não merecem nem uma nota de roda-pé em sua biografia. Biografia que ele, aliás, censurou.
O mencionado álbum ainda traz um emocionado Raimundo Fagner dizendo que sua carreira deslanchou após Roberto ter gravado “As velas do Mucuripe” no início da carreira do cantor cearense e outros bons momentos como os duetos com Milton e Caetano Veloso. Mas a inexpressiva Ivete Sangalo deixa claro que a opção do cantor e compositor capixaba é nivelar a todos no mesmo patamar. Patamar que, a julgar pela presença inacreditável de uma certa banda chamada “Calcinha Preta” em seu último especial de fim de ano, ficará ainda mais mal freqüentado daqui pra frente.
Juro que presenciei a presença desta “banda” no especial do cara. E ainda por cima tive o desprazer de ver o “diálogo” que se seguiu. Roberto perguntou para uma das vocalistas porque o nome da “banda” era Calcinha Preta e não Calcinha Azul, como seria de seu agrado. Depois os “músicos” atacaram com o tema da Norminha da novela Caminho das Índias.É Roberto, você valia muito e eu gostava de você. Principalmente do roqueiro dos anos 60 que queria que tudo fosse para o inferno a bordo de seu calhambeque e de seus álbuns de soul nos anos 70, mas lamento profundamente seu ocaso.
Portanto para mim, depois de analisar com acuidade a carreira dos grandes nomes da MPB vou eleger um novo “Rei”, levando em conta a qualidade de suas letras, sua postura diante dos anos de trevas, a maravilhosa Literatura que ele nos premia desde o fim dos anos 90 do século passado e também por sua coerência artística. Chico Buarque de Holanda, você é, pelo menos pra mim, o verdadeiro “Rei” de nossa música.

18/01/2010 Posted by | Crônicas, Cultura | | 1 Comentário

Abra-te cérebro

Por Délio Pinheiro

Consta que o humorista Groucho Marx mandou um bilhete para um escritor que havia lhe enviado seu primeiro livro para sua apreciação. O bilhete dizia: “Do momento em que o peguei, até a hora em que o larguei, seu livro me fez rolar de rir. Um dia pretendo lê-lo”. Achou mordaz né? Pois é, quase sempre a sinceridade dói pra caramba. E uma de minhas proposições para 2010 é ser sincero. “Duela a quien duela”, como diria o Collor, ex-presidente de triste memória. Já começo exercitando meu surto de sinceridade dizendo que a maioria esmagadora dos políticos são canalhas. Isso não é nenhuma novidade. Mas é preciso guardar numa agendinha o nome de todos os personagens do mensalão do PT, do valerioduto tucano, do recente mensalão do DEM em Brasília e de todos os outros escândalos recentes, para no ano que vem darmos o troco. Não é possível reeleger gente assim.
O meu surto de sinceridade também vai sair do âmbito da política e penetrar em todas as áreas. Se alguém me perguntar, por exemplo, se gosto de funk porque é a música que a mídia empurra como sendo a do momento, eu direi que repudio esse tipo de modismo, e funk pra mim continua sendo aquela música feita por George Clinton e James Brown, e não falamos mais nisso. Se me perguntarem se gostei da nova comédia da Jennifer Aniston ou do X-Men 4 ou do Transformers 3, direi que vejo cinema como arte e não como um espetáculo sem idéia, produzidos em série como numa linha de montagem.
Ainda bem que temos diretores atuais como Gus van Sant, Lars von Trier e David Lynch, para citar apenas alguns, que nos salvam e nos salvarão dessas trevas, e nada mais.
Pois é, a sinceridade que sempre esteve comigo, agora será meu GPS, minha bússola e meu dínamo. Mas talvez sem o sardonismo de Groucho Marx, pois assim poderia conquistar alguns desafetos, mas firme o suficiente para dizer que o mínimo não me interessa, assim como não me convém música tola, cinema vazio e políticos canalhas.

18/12/2009 Posted by | Cidadania, Crônicas | | Deixe um comentário

A Câmara

Por Délio Pinheiro

A Câmara de Vereadores daquela pequena cidade ficava cheia uma vez por mês. Era quando os edis se juntavam para discutir os assuntos da pauta, apresentar projetos, quase sempre inócuos, como dispor sobre a criação de novas datas municipais e atribuir nomes aos prédios públicos e logradouros diversos. Recentemente havia sido criado o “Dia do Entregador de Leite em Garrafas de Vidro” e o “Dia Municipal dos Lambe-Lambes”, embora essas duas atividades profissionais estivessem extintas na cidade. O último entregador de leite de porta em porta fora, literalmente, atropelado pelo caminhão de uma rica empresa de laticínios que comprava, a preços módicos, o leitinho produzido pelas vacas do município, e o Juca Retratista, que preservara a memória fotográfica do município nas últimas quatro décadas, caíra em profunda depressão depois que inventaram as “tenebrosas máquinas digitais”, segundo seu entendimento. Desde então ele tornara-se arredio e chegava a passar semanas inteiras no meio da mata tirando fotografias de pássaros imaginários, com sua antiga máquina, logicamente analógica.

Um vereador entrara com o projeto de denominar o alambique comunitário recém construído de “Alambique Municipal Jerônimo Pires”, uma homenagem ao farmacêutico prático da cidade, mas o tributo ficara estranho à beça, na medida em que o profissional gostava de exceder-se nos destilados e ganhara, muito a propósito e a contragosto, o nada lisonjeiro apelido de “pudim de cana”.

Em torno dos trabalhos da Câmara gravitavam algumas figuras pitorescas. Uma delas era a “Ana Doida”, que não perdia nenhuma reunião e ficava sempre na última fileira da platéia ouvindo a fala empolada de certos vereadores, transmutando-as em frases de amor em seu juízo desterrado. Ela dizia que todos os vereadores eram seus namorados, com exceção do professor de Letras, Aroldo, que era homossexual militante.

Outra figura que sempre aparecia nas reuniões da Câmara era o Bira, um baixinho irritadiço que tinha um parafuso a menos, assim como “Ana Doida”, mas que, ao contrário da anciã, era dado a falatórios em praça pública, sentindo-se o décimo vereador daquela casa, chegando ao extremo de interromper os verdadeiros vereadores, como da vez em que, ao discordar da fala anasalada do vereador Aroldo, disparou, cheio de si: “Pela orde, excrecência!”.

Naquela manhã o presidente da Câmara resolvera discutir o autismo, já que alguns moradores do município padeciam daquela característica. Entre as ideias estava, claro, a criação do “Dia Municipal do Austista”.

Aquele assunto, assim que foi mencionado da tribuna, tirou Bira do sério. Falava-se em valorizar os austistas. Na primeira brecha, ele emendou, lá do meio da respeitável plateia: “Abaixo esse povo alto! Precisamos discutir o baixismo nesta casa, incelença”, disparou.

“Ana Doida”, fez que sim com a cabeça, concordando com aquele pitaco embasado.

03/11/2009 Posted by | Crônicas | | Deixe um comentário

Encantos de uma Esquina Qualquer

Por Délio Pinheiro

Olhos atentos, máquina fotográfica sempre por perto. É assim que costumo andar. Nunca se sabe quando um bom flagrante se desenhará em nossa frente ou quando uma inspiração surgirá, nítida e bela, capturada no ínfimo instante de um clique.
No sábado me deparei com uma mamãe beija-flor, que fez seu ninho na garagem da rádio Itatiaia, onde trabalho. Mesmo com o movimento dos carros e das pessoas ela permanece impassível, aninhando o melhor que pode os dois minúsculos ovinhos sob suas penas de mãe.
Ver um beija-flor imóvel durante vários dias, logo ele que voa freneticamente, é uma cena inspiradora para se dar vida a uma boa crônica. Eu já estava decidido a abordar este assunto, quando apareceu uma outra inspiração, ainda melhor. E foi logo na esquina, literalmente.
No bairro Melo tem uma residência imponente, que se parece com aquelas aristocráticas mansões americanas, nas proximidades da Funorte, e seu jardim é um alento para os olhos cansados que passam diariamente naqueles cantos, inclusive eu que passo pela citada esquina sempre que retorno para casa.
No instante em que passei por lá, após uma manhã de trabalho, vi a seguinte cena. Uma moça vestida com um hábito puído e ocre, sem que ninguém pedisse, cortava minúsculos raminhos apodrecidos de uma palmeira, que se projetava para o lado de fora do belo jardim.
Ela cuidava da planta, que nascera para embelezar aquele jardim distinto, com a mesma acuidade e afinco que a mamãe beija-flor cuidava de seus “filhinhos” no ninho ali perto. E a moça, bonita e recatada, cumpria sua missão com serenidade, contribuindo, com seu gesto anônimo, para deixar a planta, e a mansão, ainda mais viçosa.
A menina-moça era uma dessas jovens que participam da comunidade “Toca de Assis” e suas vestes remetiam imediatamente a um dos santos do catolicismo, São Francisco, cuja história de simplicidade e amor ao próximo continua a inspirar jovens em todos os lugares da Terra.
Ela, como tantos outros que dizem ouvir o chamado de Deus, fazem voto de pobreza e se vestem e vivem seus dias com o máximo de simplicidade que podem. Por isso a cena causou-me tanta admiração.
Aproximei-me com cuidado, com receio de assustar aquele beija-flor divino,
e pedi para registrar aquele momento com minha máquina fotográfica. Momento este que, em sua involuntariedade, se fez tão belo.
O contraste do luxo excessivo da moradia e da simplicidade tocante daquela mocinha, verdadeiramente bonita, embora este adjetivo não lhe deva causar grande impressão, devido a seu voto de castidade, me atingiu profundamente, e me fez escrever essa crônica.
Um pequeno e irrelevante fato para olhares mais descuidados, mas elementos certeiros para se refletir sobre a importância que damos a vida e como ela pode ter significado se vista com o ângulo correto, pelo viés da moça anônima vestida como um padre da Idade Média, que cuidou da planta da mansão da esquina, ou da mamãe beija-flor, que naquele mesmíssimo instante, talvez estivesse pensando na sensação boa de voar, mesmo resignada em sua posição de mãe vigilante.
Lemierre escreveu que “mesmo quando um pássaro caminha, ele sente que tem asas”. A frase pode ser adaptada, sem prejuízo algum, para a moça que não disse o nome e que deixou que eu a fotografasse, contanto que a foto não fosse parar nas páginas indiscretas da Internet: “Mesmo com suas vestes simples e seu voto de humildade, a menina sabe que dentro de si tem uma riqueza imensurável”.

24/08/2009 Posted by | Uncategorized | | 1 Comentário

Não é Só o Mal Que se Expande

Por Délio Pinheiro

Perdi um avô vitimado por aquela doença que os mais velhos se recusam a dizer o nome. Como se a simples menção de sua terrível alcunha pudesse trazê-la perigosamente para perto, ou mesmo pudesse fazê-la se instalar em algum órgão sadio de nosso corpo. Refiro-me ao câncer, evidentemente. Como tenho esse histórico na família, e que vitimou, além de meu avô, alguns tios, procuro me informar acerca dos tratamentos que a medicina coloca à disposição todos os anos. Certamente podemos comemorar saltos qualitativos formidáveis, avanços estes que chegaram tarde demais para o avô que sequer tive a honra de conhecer, embora carregue comigo seu nome e sobrenome acrescido do agnome Neto, fato este que me orgulha bastante.

Por falar em orgulho, Montes Claros nutre especial apreço pela Fundação Sara, instituição sem fins lucrativos que visa acolher, com carinho e dedicação, crianças fustigadas pelo aceno indistinto dessa doença terrível, que tenta, muitas vezes em vão, ceifar o brilho de crianças tão vivazes. Grande parte do êxito desta batalha contra a doença, feita com quimioterapia, radioterapia e muito sofrimento, se deve ao empenho de instituições como a Fundação Sara, comandada pelo casal Marlene e Álvaro.

Na semana passada foi anunciada a expansão da Sara para Belo Horizonte. Seu trabalho, sério e abnegado, agora também estará à disposição das crianças de todo o Estado de Minas, já que para a capital são conduzidos os casos mais complexos, oriundos dos mais recônditos cantinhos de nosso Estado. E a presença da fundação nas alterosas representará um alento para famílias carentes que buscam obstinadamente a cura para seus filhos, que, muitas vezes, chegam a desconhecer a complexidade do mal que carregam e do quão sofrido pode ser o tratamento.

Estive na Fundação Sara na semana passada, na condição de mestre de cerimônias voluntário, e pude ver, ciceroneado pelo casal Marlene e Álvaro, o esmero com o qual eles cuidam daquelas crianças e o conforto com o qual elas são abrigadas. Uma situação bem diferente, certamente, da vida modesta que levam em suas cidades de origem. Álvaro, que além de seus predicados conhecidos traz uma qualidade adicional, já que é serranopolitano assim como eu, disse que a Fundação Sara passou a construir casas, na medida de suas possibilidades, para estas famílias e que todos, ao partirem de lá rumo a seus lares, depois do período de acolhimento, levam consigo cestas básicas. É uma condição mínima para se assegurar o êxito do tratamento longe dos cuidados, das camas confortáveis e das refeições balanceadas da Fundação Sara.

Os olhos de Marlene e Álvaro brilham intensamente quando eles falam sobre a fundação, erigida a partir de seu drama particular com a perda da pequena Sara, cuja luta pela vida emocionou Montes Claros há uma década. Sara certamente não sucumbiu à toa. Sua vida teve um significado, ao contrário de tantas outras que passam insípidas por essa terra. E Sara, agora devidamente transfigurada em um anjinho, vive presente ali, na esperança de cada mãe, no olhar curioso daquelas crianças e no coração bondoso de seus pais Álvaro e Marlene, que atraem para si outras pessoas de coração bom. E estes, os colaboradores, injetam recursos e carinho, subsídios para a Sara crescer cada vez mais e ajudar centenas de crianças, quiçá milhares, em Minas Gerais.

Sugeri a Álvaro que escrevesse um livro sobre a história da fundação, desde a luta renhida de sua filha pela vida até os dias atuais, perfazendo mais de dez anos de trajetória. Ele disse-me que já tentou, mas que as lágrimas inundam o papel, a alma e o coração sempre que ele tenta organizar as informações disponíveis. Mas uma dessas histórias eu quero compartilhar com vocês. Há algum tempo a Fundação Sara recebeu uma paciente, uma mocinha de treze anos, vinda de uma pequena cidade da região. O caso dela, segundo os médicos, era irreversível. Não havia recursos disponíveis na ciência para ajudá-la a realizar um sonho, como tantas meninas-moças. Ela sonhava com uma festa de debutante dali a dois anos. Sabendo disso a Fundação Sara se organizou e realizou uma grande festa, com valsa, príncipe, convidados, refrigerantes e música alegre em seu aniversário de quatorze anos.

Se a vida, e seus desígnios misteriosos, pregou essa peça na moça de sorriso esperançoso, não havia mal nenhum em trocar o “14” pelo “15” no alto do bolo. E assim foi feito. A festa foi linda. A mocinha realizou seu sonho e nem mesmo sua morte, acontecida semanas depois, tirou-lhe a chance de realizar esse projeto derradeiro: o seu baile de debutante.

09/08/2009 Posted by | Uncategorized | | Deixe um comentário

A humildade de um santo

Por Délio Pinheiro

Foi revelado por um ex-secretário do Papa João Paulo II, monsenhor Stanislaw Dziwisz, que o pontífice adorara dar suas escapulidas do trono de Pedro e se divertir, como um mero mortal, nos Alpes italianos. As escapadas não teriam cessado nem após o atentado que o Papa sofreu em 1981.
A revelação está no livro “Testemunho”, de autoria do monsenhor. Segundo ele, era preciso enganar a guarda suíça, que faz a segurança do Vaticano. “Partíamos às 9 da manhã, no carro do padre Josef, para não despertar suspeitas nos guardas suíços”, relata Dziwisz. Assim que chegaram à estação de Ovindoli, o Papa vestia-se com casaco, gorro e óculos. “Ele ficava na fila como os outros, mas, por segurança, um de nós ficava na frente dele e outro ficava atrás”, contou o ex-secretário. “Pode parecer incrível que ninguém o tenha reconhecido. Mas quem podia imaginar que o Papa poderia ir esquiar assim?”, indaga o religioso.
Bela pergunta essa. É de conhecimento público que o Papa polonês praticava seu esporte favorito, o esqui. Mas imaginá-lo incógnito como um simples esquiador seria uma tremenda prova da humildade do pontífice, já que o poder do papa, sobretudo na Itália, é imenso. Vale mencionar que bastaria um desejo seu de esquiar em qualquer lugar, para que a pista fosse interditada aos outros seres humanos e o Papa teria a montanha gelada todinha pra si. Acredito até que se ele quisesse esquiar no Pão de Açúcar, as autoridades brasileiras dariam o seu famoso “jeitinho”.
Mas não se pode negar que essa revelação é bastante oportuna, já que surgiu em pleno processo de canonização do pontífice, e ela pode ser interpretada como uma tentativa de se acelerar esses trâmites. E esse é o tipo de factóide que conta muitos pontos no intricado processo.
Um outro fato mundano, entretanto, pode retardar um pouco mais esse desfecho: a correspondência que o falecido Papa mantinha com uma amiga de juventude, e que apareceu agora. Não sei que tipo de revelação poderia depor contra o ex-líder da maior religião cristã do mundo, mas a análise desse conteúdo é visto como condição sine qua non para que o processo burocrático o ascenda à condição de santo no panteão celestial da igreja de Roma.
Mas voltemos aos passeios do Papa nas estações de esqui. Lembro-me de um livro que li chamado “As sandálias do pescador”, onde um Papa fazia seus passeios incógnitos, no meio do povo. E acredito que esse talvez seja o melhor termômetro para se avaliar o sucesso de um pontificado, ou de um governo. Ouvir a voz rouca das ruas, angariar um pitaco sincero aqui e outro acolá pode responder à pergunta essencial:
Será que estou agradando?
Acho até que o presidente Lula deveria fazer o mesmo. Imaginemos nosso presidente acordando às três da manhã e se dirigindo até uma agência da Caixa, a fim de fazer algum dos recadastramentos mensais exigidos pela insaciável burocracia. Chegando lá, para sua surpresa, ele se depararia com uma fila. Veria estupefato que algumas pessoas vivem de vender lugares por lá, e em outros lugares onde as senhas são escassas. Depois, alegando uma dor qualquer, ele pediria para ser atendido em um hospital público e veria o quanto os atendentes são ríspidos e as vagas são raras.
Pensando bem, até que vai ser bom o Papa esportista se tornar santo, pois de lá, do firmamento, ele poderá proteger todos nós. Poderá impedir, por exemplo, o avanço belicoso do anão sul-coreano e seus mísseis cada vez mais potentes. Talvez até consiga resolver alguns dos grandes problemas nacionais: desemprego, violência e corrupção.
Pensando melhor ainda, acho que vai ser muito trabalho para um santo só.

21/07/2009 Posted by | Uncategorized | | 2 comentários

O vale das possibilidades

Por Délio Pinheiro

Estive no Vale do Jequitinhonha nesta última semana. Mais precisamente em Carbonita. Ao contrário da máxima que os pessimistas vaticinam, e que já está enraizada em nossa consciência, não vi a pobreza que campeia e que faz da região uma das mais miseráveis do planeta.

O que vi, nos intervalos do trabalho e mesmo durante o labor, foi uma gente simples, de hábitos comedidos e cercada de recatos e desconfiança. E essa postura, na defensiva, se manifesta no primeiro olhar, na hora da primeira abordagem, logo após o primeiro “bom dia”.

Bastam alguns minutos, entretanto, para a verdade cabocla daquela gente aflorar. Então eles se abrem, sorriem e nos aceitam em seus mundos de simplicidade e aconchego. Foi assim em Carbonita, e desconfio que seja assim em todo o Vale.

A primeira, e boa, impressão foi dada por Norma. Ela é secretária municipal, e está prestando o mesmo serviço a três governos. Sai e entra prefeito em Carbonita, só não sai a habilidosa e competente funcionária. Essa parece ser a norma por lá.

A pobreza deste trocadilho contrasta com as virtudes da jovem senhora, que se encaixa perfeitamente no estereótipo que citei. No início ela ficou comedida, como boa mineira do Vale, mas depois, talvez ao perceber que éramos bons moços, (eu e meus dois companheiros de trabalho), ela nos brindou com sua boa vontade e sua simpatia, que não cessaram nem com o fim do expediente na secretaria.

Depois dela outras pessoas mostraram-se sem véus e pudores, sem inveja e sem discursos vazios. Como o arguto Wagner, funcionário da EMATER, e mestre nas academias e na própria vida. Um rapaz brilhante e, sobretudo, simples. E é desse modo que essa qualidade deveria se manifestar sempre em todos os seres humanos.

Conheci também a octogenária, mas com alma de menina-moça, Dona Eva, que mora em um casarão colonial com dois séculos de vida, um tanto gasto pela ação deletéria do tempo, numa região chamada Gangorras.

De lá, das janelas de duzentos anos, ela espia o mundo sem pressa, e, debruçada no fogão de lenha de mesma idade, faz seus divinos queijos, que parecem carregar a tradição e o traquejo de tantos verões, em seu sabor brejeiro. Queijo esse que é oferecido de coração aberto, com a hospitalidade típica destes rincões.

Tive a honra ainda de encontrar, em meio ao burburinho do Mercado Municipal, uma senhora espevitada chamada Aparecida, artesã de mão cheia, que faz seus trabalhos com barro, dando vida a panelas, jarros e vasos de rara beleza. Assim como é bela a alma marota da artista que, com gestos precisos, materializa sua criatividade e assegura seu sustento, e de sua família. Nem foi possível fotografar muitas destas peças porque, segundo Aparecida, não sobra nada da sua produção. Tudo é vendido.

Nas artes da mesa saboreei os quitutes de Dona Fiinha, ouvi as modas de viola de Cristal e Diamante, vi o imenso e preciso relógio e a bela igreja de Nossa Senhora da Abadia e admirei as estripulias do grupo teatral Trama, que estava por lá despertando o interesse para as artes cênicas nas crianças.

Uma bela cidade, que se faz ainda mais bela com os predicados de seu povo. Gente criativa e hospitaleira que faz-nos esquecer daquelas premissas que condenam o Vale a um penar sem fim. Desde que haja criatividade, força de vontade, honestidade e trabalho certamente a miséria dá espaço ao progresso.

E por fim dedico essa crônica a todos de lá, sobretudo aqueles que conheci e em especial ao Benezinho.

Tem mais no blog: www.deliopinheiro.blogger.com.br

28/06/2009 Posted by | Cultura, Turismo | | Deixe um comentário

Uma Revisão Necessária

Por Délio Pinheiro

Coube ao conceituado professor argentino Ricardo Rabinovich proferir a última palestra do Congresso de Direito realizado pelas Faculdades Santo Agostinho, neste mês de maio. O palestrante ocupou-se de um tema bastante espinhoso: a eutanásia.

As palavras iniciais do professor foram que a sala de aula deve ser um lugar de conflito, onde as ideias precisam ser confrontadas. Diante de um assunto tão controverso como o que ele iria abordar, a impressão que se deu é que aquele momento, o de sua palestra, também seria de confronto.

Grande parte da plateia certamente discordava do assunto antes do professor começar a demonstrar sua erudição através de citações e personagens históricos. O assunto, graças à sua complexidade e rejeição naturais, merecia um arcabouço teórico irrepreensível, e o palestrante se jogou neste desafio, embalando-nos com seu português cheio de sotaque portenho. Rabinovich desnudou o conceito de eutanásia ao longo dos séculos e mitigou os efeitos deletérios do tempo, que depuseram contra o sentido original da palavra “eutanásia”.

A palavra é oriunda do grego, e é formada pela junção de “eu” e “thanasia”. A palavra “thanasia” significava o processo de morrer, diferente de “thanatos” que significava, efetivamente, a morte.

Graças ao processo diacrônico urdido ao longo dos séculos, o sentido original se perdeu, e a palavra eutanásia passou a acumular uma carga valorativa malfazeja. O empenho do professor foi no sentido de restituir a idéia original, aproximando o termo do “ato de morrer com dignidade”, depois de cessadas as tentativas de se restituir a saúde, procurando não insistir em procedimentos fadados ao fracasso. E esse “direito”, segundo ele, é do “eu”, é individual, e deveria ser benquisto pela sociedade, sob pena de mascararmos nossa efêmera condição humana.

O palestrante citou diversas passagens literárias onde o termo original foi citado, desprovido de qualquer ranço negativo. Na obra de Myrmiki, por exemplo, estava escrito que “de todas as coisas que o homem deseja obter, nada há melhor que uma eutanásia”. Essa, por sinal, foi a citação mais antiga pinçada por ele em sua pesquisa. Rabinovich mencionou que a origem da palavra não está em sisudos tratados médicos ou jurídicos, mas sim nas antigas comédias gregas, o que demonstra inequivocamente que em sua gênese a palavra não coadunava com os sentimentos contraproducentes que atualmente a cercam.

Ático, contemporâneo e melhor amigo do grande orador Cícero, também empregou a palavra em seus textos. O mesmo se deu, muitos séculos adiante, com Francis Bacon, que dizia que “a eutanásia é uma coisa médica e um direito do paciente”. Foi citado o exemplo de Epicuro, que também se referiu a eutanásia de uma maneira positiva, como algo virtuoso.

Lembro-me de ter lido um artigo recente onde seu autor aborda o que ele chama de “erro de interpretação” por parte dos estudiosos no tocante à obra de Epicuro, que vem a calhar na proposta defendida por Rabinovich, de que a palavra eutanásia perdeu seus predicados originais com o passar do tempo. Epicuro é lembrado como alguém hedonista, daí a expressão epicurismo, que, entre outros significados, está associada à sensualidade e ao desregramento de costumes. Mas, segundo o autor do artigo, seus ensinamentos foram incompreendidos, já que o “prazer” proposto por ele passava por um modus vivendi desprovido de luxos e excessos, e não ligado ao prazer sexual, propriamente dito.

Assim como o autor deste artigo lançou um novo olhar sobre a obra de Epicuro, atribuindo-lhe novos significados, Rabinovich trouxe à tona novas percepções sobre um tema delicado como a eutanásia.

O palestrante citou, além de Bacon, outro pensador católico, Tomas More, que também defendia a eutanásia como algo aceitável e, até certo ponto, provido de nobreza. Este último pensador, por sinal, acabou se tornando um santo da religião de Roma, e “patrono dos políticos” na hierarquia celestial ditada pelos ritos católicos.

Rabinovich também abordou em sua palestra episódios relativamente atuais, como os estudos que precederam à chamada “solução final”, impetrada pelos oficiais nazistas comandados por Adolf Hitler, e que culminaram nos “genocídios”. Assim mesmo, no plural, já que o professor argentino lembrou em sua fala que, além dos judeus, também os negros, ciganos, homossexuais e outras minorias, foram aniquiladas a mancheias, adotando o preceito, evidentemente distorcido, da eliminação das “vidas que não merecem serem vidas”.

Alexis Carrel foi um desses pensadores. Para ele “o melhor tratamento para criminosos e deficientes mentais são as câmaras de gás”. Essa premissa foi usada, e cruelmente adaptada, para legitimar a mancha indelével que foi o nazismo e seus extermínios em massa. A Segunda Grande Guerra, segundo o palestrante, foi um marco na diacronia da palavra eutanásia. Ela passou a designar a “morte boa para a comunidade”, e não mais para o “eu”.

O argentino, depois de dezenas de citações, defendeu abertamente que todas as pessoas deveriam escolher seu destino, quando é possível interferir. Essa autonomia em relação a todos os aspectos da vida, incluindo a própria morte, está em não aceitar certos procedimentos médicos que só servem, segundo ele, para mascarar o inevitável, e que deveria ser pessoal a decisão de interromper o fluxo de oxigênio e nutrientes para um corpo fadado à morte.

“O direito sobre a vida inclui escolher, quando se pode, sua própria eutanásia”, com essa frase o palestrante chegou onde queria. Ele fizera uma defesa concisa e sem lacunas sobre o assunto, desarmando muitos dos que assistiam a seu discurso. Ele havia vencido o confronto, ao expor elementos tão convincentes acerca do assunto. Claro que muitos continuariam a defender apaixonadamente o veto pessoal a eutanásia, mas a antítese de tudo aquilo em que acreditavam havia sido apresentada com maestria.

Na tentativa de apaziguar as almas presentes, certamente angustiadas, Rabinovich lembrou que ninguém gosta de falar da própria morte. A idéia de termos controle sobre o desfecho dessa história, quando é possível intervir, nos devolveria a paz interior e faria com que fizéssemos as pazes com a idéia de sermos mortais.

O gesto derradeiro do palestrante foi projetar o último slide de sua apresentação de power point, onde estava escrito que a mesma era dedicada a seu filho de quinze anos, que morrera precocemente, e que pôde, dentro de suas possibilidades, optar por uma morte digna, já que não havia recurso na medicina que pudesse dar jeito em sua enfermidade. Uma última frase foi dita, e ela deve está reverberando até agora para quem teve, assim como eu, o privilégio de ver a palestra: “O Direito deve servir para se obter a felicidade, do contrário não serve pra nada”. A plateia, seduzida e vencida, aplaudiu durante mais de um minuto.

01/06/2009 Posted by | Uncategorized | | 1 Comentário

Tio Bira e seus 80 Anos

Por Délio Pinheiro

Tio Bira

“Saudade, um lenço roxo lá distante, na curva do caminho, a tremular. Um riso amargo, um peito soluçante, um olhar triste em busca de um outro olhar”. Era com poesia que começava os programas românticos comandados pelo radialista Ubirajara Toledo na rádio Sociedade ZYD-7. O popular Tio Bira comandou programas como “Clube do Tio Bira” e “Pingos de saudade”, além do vigoroso e combativo “Tribunal da opinião pública”.
Ubirajara Ferreira de Toledo, que conheci pessoalmente quando fiz o trabalho experimental da faculdade de Jornalismo há quatro anos, nasceu em Juiz de Fora no dia dois de setembro de 1929. Começou na imprensa em 1949, na rádio Tiradentes e trabalhou também em jornais impressos dos Diários Associados e na TV Industrial. Paralelo a seu trabalho na imprensa, Ubirajara era funcionário público federal. E foi nestas condições que ele foi transferido para Montes Claros. Atendendo a um convite de João Teixeira Bastos, ingressou no quadro de locutores da rádio ZYD-7 em 1962.
Ainda nos tempos de Juiz de Fora, discursou para Assis Chateaubriand, o jornalista mais influente da história do Brasil. Foi secretário fundador da AMAMS, Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene, e liderou diversas campanhas sociais. Teve seu trabalho reconhecido pela Câmara Municipal de Vereadores, que em 1980 concedeu-lhe o título de Cidadão Honorário de Montes Claros. Em 2003, o ex-radialista voltou a ser laureado com um título de Cidadão Benemérito, oferecido, outra vez, pelos vereadores, em nome do povo de Montes Claros.
Esse texto, escrito por um mero aprendiz de radialista, se propõe a homenagear o grande Tio Bira e lembrar que no próximo mês de setembro ele completa oitenta anos. Acredito que seja uma efeméride das mais justas. Tomara que o atual prefeito, que foi radialista, preste uma nova e merecida homenagem em nome do povo de Montes Claros, a esse comunicador que tanto contribuiu para nossa cidade e para o rádio mineiro.
Contrariando a máxima de Nelson Rodrigues, que afirmava que toda unanimidade é burra, Tio Bira se locomove faceiro por aí, acarinhado e admirado por seus pares e pelo público, que um dia teve a honra de tê-lo por perto, através de sua voz, emanada nas ondas médias e um tanto roufenhas da ZYD-7.
Lembro-me de ter lido em um site que cobre o cotidiano de Montes Claros que Tio Bira pretendia se mudar para sua terra natal, Juiz de Fora, depois de tantas décadas por aqui. Não sei de seu atual paradeiro, se ele está na terra de Itamar ou aqui na terra de Mestre Zanza, mas certamente estará sempre em um local onde a melancolia e a solidão não podem entrar: os nossos corações.

17/05/2009 Posted by | Uncategorized | | 3 comentários