F5 Pelo Mundo

Mobilização civil promove um dia de limpeza em Portugal

Por Flaviane Carvalho

Um simples gesto de determinação e consciência ambiental buscou resgatar em apenas um dia os ares naturais de encanto e pureza das florestas e espaços urbanos portugueses, mobilizando milhares de pessoas.

Tudo começou em julho do ano passado, quando o técnico em logística Nuno Mendes publicou em um fórum da Internet um vídeo sobre um projeto realizado em maio de 2008 na Estônia, onde 50 mil voluntários recolheram em um dia 10 mil toneladas de lixo. Com a legenda “Para quando em Portugal?”, o vídeo acabou por despertar o interesse de mais dois membros do fórum: Rui Marinho, gerente de uma empresa de produtos químicos, e Paulo Torres, empresário comercial. Até então, nenhum dos três havia se envolvido em associações ambientais, mas todos compartilhavam da mesma inquietação: a diversidade de lixo acumulado nas cidades e florestas portuguesas.
Daí surgiu o Projeto Limpar Portugal, um movimento civil sem fins lucrativos que visou remover no dia 20 de Março de 2010 grande parte do lixo depositado indevidamente nos espaços verdes e urbanos, através da participação voluntária de pessoas particulares e de entidades privadas e públicas. Ao utilizar das redes sociais da Internet para promover o projeto e conseguir a adesão de voluntários, o movimento chamou a atenção dos órgãos de comunicação social, de prefeituras municipais e até mesmo do governo, que prestou apoio de transportes e logística. Além disso, o projeto conseguiu mapear cerca de 13 mil pontos com lixo em todo o país.

Segundo Paulo Torres, um dos mentores e coordenadores do projeto, o mutirão reuniu mais de 100 mil voluntários, que tiveram como ponto de encontro as juntas de freguesia das cidades portuguesas – espécie de micro-prefeituras situadas em cada bairro da cidade -, onde também era possível encontrar manuais com instruções sobre os tipos de vestuários e equipamentos adequados para a atividade, bem como buscar informações sobre quais áreas deveriam ser praticadas as ações conjuntas de limpeza.

As operações foram feitas em florestas, estradas e terrenos urbanos, e englobaram todos os tipos de lixo, tais como detritos, pneus, resíduos e entulhos, totalizando aproximadamente 70 mil toneladas recolhidas. Depois de separado, o lixo será distribuído pelas entidades de recolha e valorização de resíduos articuladas ao projeto.

Os responsáveis pelo projeto têm a esperança de não precisar repetir o movimento. “Esperamos que as pessoas tenham compreendido a mensagem e procurem desfazer-se do lixo de maneira conveniente”, relatou Paulo Torres ao diário português Público.

A Índia também tem aderido à ideia. Nova Delhi teve igual iniciativa na mesma data que Portugal, e no dia 15 de Agosto será a vez de Bangalore arregaçar as mangas em prol do meio ambiente. Para mais informações sobre o projeto Limpar Portugal, basta consultar o site oficial www.limparportugal.org.

11/04/2010 Posted by | Cidadania, Meio Ambiente, Mundo | | 1 Comentário

Pegada Ecológica: qual o tamanho do impacto que você causa ao Planeta?

Por Fernanda Pessoa Rossoni

Consiste em ação e reação. Cada um de nós tem uma “Pegada Ecológica”, ou seja, praticamos ações e temos hábitos que deixam um resultado no Planeta Terra.

Imagine se todos consumíssemos uma quantidade de recursos naturais acima da capacidade de reposição do meio ambiente e produzíssemos mais resíduos do que se pode assimilar? É provável que, após determinado tempo, não haveria mais comida, nem água potável e, muito menos, ar puro para todos.

Afinal, a Terra, mesmo possuindo um eficiente sistema de aproveitamento de energia solar e reciclagem de matéria, pode chegar, um dia, à exaustão. É por isto, e para saber se as ações de cada um são sustentáveis, que existe o cálculo da Pegada Ecológica.

Trata-se de uma ferramenta que mede, por meio de questionário, a área de terra e água necessária para sustentar o consumo de alimentos, bens, serviços, moradia e energia de uma determinada população, bem como para assimilar os resíduos resultantes deste consumo.  A pegada é dividida em quatro categorias de consumo: carbono (uso de energia em casa e no transporte), alimentação, moradia, bens e serviços.

Após responder um questionário com 15 perguntas, é possível saber “quantas Terras” (medida em “hectares globais) seriam necessárias para atender às necessidades da população do planeta se todos tivessem hábitos de consumo semelhantes ao da pessoa que está fazendo o cálculo. A pegada é expressa em “hectares globais” ou “acres globais”, os quais são unidades padronizadas que levam em conta as diferenças em produtividade biológica dos diversos ecossistemas que são impactados pelas nossas atividades.

A Pegada Ecológica ajuda a perceber, então, o quanto de recursos ambientais utilizamos para sustentar nosso estilo de vida. Isto inclui a cidade e a casa onde moramos, os móveis que temos, as roupas que usamos, o transporte que utilizamos, aquilo que comemos, o que fazemos nas horas de lazer, os produtos que compramos e assim por diante.

Tudo começou no início da década de 90, quanto os cientistas William Rees e Mathis Wackernagel procuravam formas de medir a dimensão crescente dos impactos que causamos no planeta. Em 1996, eles publicaram o livro “Pegada Ecológica – reduzindo o impacto do ser humano na Terra”, o qual apresentava um novo conceito de sustentabilidade ambiental.

Segundo a ONG ambientalista WWF, desde os anos 80 a demanda da população mundial por recursos ambientais é maior do que a capacidade do planeta de renová-los. Dados mais recentes demonstram que se está utilizando 25% a mais do que o que está disponível em recursos. Ou seja, precisamos de um planeta e mais um quarto dele para sustentar nosso estilo de vida atual.

Medindo a Pegada Ecológica, as pessoas tomam conhecimento do efeito de suas ações sobre o meio ambiente. E, a partir do momento em que se conscientizam disto, podem mudar os hábitos e adquirir ações individuais e coletivas em favor de um mundo, para que a humanidade possa viver em equilíbrio com os recursos disponíveis do planeta.

Sugestões de práticas diárias para diminuir o impacto que causam ao meio ambiente não faltam:

Transporte: Ande, vá de bicicleta, faça revezamento de carros ou use o sistema público de transportes com mais frequência. Você deixará de emitir um quilo de dióxido de carbono a cada 3,5 km que você deixar de usar o carro individual.

Carro:

– Faça sempre uma revisão, pois um carro que funciona corretamente consome menos combustível e emite menos gases causadores do efeito estufa.

– Calibre bem os pneus do seu carro. Os pneus bem calibrados evitam um consumo excessivo de gasolina e dão mais segurança.

– Ao comprar, dê preferência a veículos “flex” e que sejam mais econômicos e, se puder, abasteça com álcool e não com gasolina.

Em casa:

– Procure sempre comprar aparelhos eficientes em consumo de eletricidade.

– Desligue as luzes dos ambientes não utilizados.

– Retire das tomadas os aparelhos em stand-by (os que ficam com as luzinhas vermelhas acesas).

– Substitua as lâmpadas principais da casa por lâmpadas fluorescentes compactas, pois consomem 75% a menos que as convencionais.

– Ligue a máquina de lavar menos vezes por semana e passe a verificar sempre seus gastos com eletricidade e água.

– Certifique-se que na sua casa não tem vazamentos e evite o uso abusivo de água para lavar calçadas e carros, usar baldes é sinônimo de melhor aproveitamento da água.

– Instale painéis solares para aquecer a água. Em longo prazo, você poupará energia e dinheiro.

– Se não for instalar os painéis solares, aqueça menos água do banho, pois demanda muita energia.

– Instale um chuveiro de baixa pressão.

– No banho, desligue o chuveiro quando estiver se ensaboando.

– Evite produtos com muitas embalagens, para reduzir a quantidade de lixo.

– Separe o lixo em “reciclável” e “não reciclável”. Os que puderem ser reciclados podem ser encaminhados às associações de reciclagem da sua cidade.

No trabalho:

– Ao sair, verifique se as luzes estão desligadas.

– Mantenha os aparelhos de ar condicionado a 25º C.

– Verifique se os aparelhos de ar condicionado estão na sombra. Eles consomem 5% menos se não estiverem no sol.

Para calcular sua pegada individual, acesse o site em português: http://www.pegadaecologica.org.br/

Ou, o site oficial:  http://www.myfootprint.org

Fontes:

http://www.myfootprint.org

http://www.pegadaecologica.org.br/

04/12/2009 Posted by | Meio Ambiente, Mundo | | 1 Comentário

IMPRESSÕES: À descoberta de Gênova, a suposta terra natal de Cristóvão Colombo

Por Flaviane Carvalho

 

Margeada por uma extensa bacia hidrográfica e protegida por um conjunto acidentado de montanhas, a cidade de Gênova abriga o mais importante porto marítimo da Itália, além de destacar-se como pólo comercial e industrial de notável desenvolvimento no norte do país.

 
Gênova e sua topografia irregular

Gênova e sua topografia irregular

 Cais movimentado por famílias e jovens genoveses, marinheiros e turistas, o Porto Antico (“Porto Antigo”) é considerado o coração de Gênova, representando o pilar do seu poder como cidade portuária durante os séculos XI e XII. Por entre os vestígios da glória medieval, é possível visualizar um imponente farol – a Lanterna –, localizada próxima da Estação Marítima. E, para os apaixonados na biodiversidade marinha, o Porto Antico também acolhe o maior aquário da Europa.

A "Lanterna", símbolo do Porto de Gênova

A "Lanterna", símbolo do Porto de Gênova

Duas belas vias genovesas são dignas de ênfase. A primeira é a Via Balbi, em que está situado o Palazzo Reale (“Palácio Real”), pertencente aos reis de Sabóia durante o século XVII. Esta austera residência possui um interior talhado em rococó e um encantador jardim, de onde é possível admirar parte do Porto Antico e da topografia montanhosa e irregular de Gênova.

Vista parcial do Palazzo Reale e do seu jardim

Vista parcial do Palazzo Reale e do seu jardim

A segunda é a Via Garibaldi, com mansões e palácios datados do século XVI, dentre eles, o Palazzo Bianco (“Palácio Branco”) – que contém a coleção de pinturas mais relevante da cidade, incluindo várias obras de artistas genoveses -, e também o Palazzo Rosso (“Palácio Vermelho”) que, além de conter pinturas de Durer e Caravaggio, dispõe de peças de cerâmica, mobiliário e moedas.

Palazzo Bianco

Palazzo Bianco

Palazzo Rosso

Palazzo Rosso

 

 

O Duomo ou Catedral de San Lorenzo é uma igreja medieval construída em 1100, e associa vários estilos arquitetônicos, especialmente o românico, o barroco, e o gótico. Este último pode ser facilmente observado na fachada da catedral, alternada com faixas brancas e negras.

Duomo de Gênova

Duomo de Gênova

Nas proximidades do Duomo, aos sábados, é possível visitar um mercado de produtos irresistíveis! Salames e queijos das mais variadas regiões da Itália podem ser conhecidos e saboreados por gulosos e curiosos…

Uma banca de queijos apimentados da Sicília

Uma banca de queijos apimentados da Sicília

O nome do navegador Cristóvão Colombo (1451-1506) está presente em toda a Gênova. Aos arredores da estação ferroviária de Porta Príncipe, uma estátua do explorador do Novo Mundo saúda os visitantes à entrada da Piazza Acquaverde. O aeroporto da cidade também leva o nome de Colombo, além de outros diversos edifícios públicos da cidade. O pequeno sobrado, junto à medieval Porta Soprana, supostamente teria sido a casa onde Colombo passou a infância e “descobriu” a sua paixão pelo mar.

A suposta casa onde Cristóvão Colombo passou a infância

A suposta casa onde Cristóvão Colombo passou a infância

A Porta Soprana

A Porta Soprana

 

 

 

 

Partindo da idéia de que a Terra seria esférica, Cristóvão Colombo planejou chegar às Índias navegando a partir do Ocidente, contornando, assim, todo o globo terrestre. Em princípio, o navegador propôs essa empreitada ao rei português D. João II em 1484, que rejeitou patrociná-la. Colombo resolveu, então, tentar a sua sorte na Espanha, junto aos reis católicos, que concederam-lhe o apoio necessário à viagem. Contudo, acabou por descobrir um novo continente, a América, em 1492. 

Retrato pintado de Cristóvão Colombo. Fonte: Arquivo RTP

Retrato pintado de Cristóvão Colombo. Fonte: Arquivo RTP

01/07/2009 Posted by | Cultura, Mundo, Turismo | 6 comentários

IMPRESSÕES: O amor entre D. Pedro I e Inês de Castro eternizado no Mosteiro de Alcobaça

Por Flaviane Carvalho

 

Construído em 1153, o Mosteiro de Alcobaça é considerado o primeiro e maior monumento eminentemente gótico construído em Portugal, e reflete os ideais beneditinos de busca da modéstia e da humildade, do isolamento do mundo, e da dedicação exclusiva a Deus. Em decorrência disso, a igreja impressiona os seus visitantes por emanar austeridade, imponência e simplicidade.

Vista frontal da entrada do Mosteiro de Alcobaça

Vista frontal da entrada do Mosteiro de Alcobaça

Vista panorâmica de Alcobaça e seu mosteiro

Vista panorâmica de Alcobaça e seu mosteiro

No interior da igreja encontram-se os túmulos de alguns dos primeiros reis de Portugal, como D. Afonso II (1123-1185) e de D. Afonso III (1210-1279). Para além disso, o mosteiro também é conhecido por abrigar umas das mais belas e grandiosas esculturas tumulares da Idade Média: os túmulos de D. Pedro I e Inês de Castro, vítimas de uma apaixonante e trágica história de amor – narrada com brilhantismo em Os Lusíadas por Luís de Camões, um dos mais geniais poetas da língua portuguesa.

Passada esta tão próspera vitória,

Tornado Afonso à Lusitana Terra,

A se lograr da paz com tanta glória

Quanta soube ganhar na dura guerra,

O caso triste e dino de memória,

Que do sepulcro os homens desenterra,

Aconteceu da mísera e mesquinha

Que despois de ser morta foi Rainha.

(Os Lusíadas, Episódio de Dona Inês de castro, Canto III, 118)

Por razões políticas entre Portugal e Castela, o príncipe D. Pedro I, filho e herdeiro do rei português Afonso IV, foi obrigado a casar-se em 1336 com D. Constança, princesa castelhana. Contudo, D. Pedro I apaixonou-se por Inês de Castro, a camareira de D. Constança. Dias após o parto do seu segundo filho, D. Constança morreu e, a partir de então, D. Pedro I passou a viver publicamente com Inês de Castro, com quem teve três filhos. Ao saber disso, o pai de D. Pedro I desaprovou veementemente a união de ambos, pelo que mandou matar Inês de Castro em 1355. Com a morte do pai em 1357, D. Pedro I subiu ao trono e vingou-se dos assassinos de sua amada, ordenando que lhes arrancassem o coração. Declarando ter sido casado com Inês de Castro, D. Pedro I mandou exumar os seus restos mortais, e em seguida coroou-a rainha. Posteriormente, obrigou toda a corte a ajoelhar-se diante da rainha morta e beijar-lhe a mão, já decomposta e em estado de putrefação. Quando os sarcófagos de D. Pedro e Inês de Castro ficaram prontos, construídos um defronte ao outro, o rei português determinou ser enterrado de modo que, no dia do Juízo Final, ambos se olhassem diretamente nos olhos. Estes túmulos são hoje o destino de muitos apaixonados, que os visitam no dia do seu casamento, para fazerem juras de fidelidade e amor eterno.

Túmulo de Inês de Castro, sustentado por esculturas dos seus supostos assassinos, em que se mesclam elementos humanos e animais

Túmulo de Inês de Castro, sustentado por esculturas dos seus supostos assassinos, em que se mesclam elementos humanos e animais

Túmulo de D. Pedro I

Túmulo de D. Pedro I

 

21/06/2009 Posted by | Cultura, Mundo | 5 comentários

IMPRESSÕES: O mundo medieval em Siena

Por Flaviane Carvalho

 

Antigo povoado etrusco e, posteriormente, colônia romana erguida em I a.C. pelo imperador César, Siena pode ser classificada como uma autêntica cidade medieval, localizada na região da Toscana, Itália.

No decorrer do período medieval até o século XIV, Siena manteve uma acirrada rivalidade no âmbito das artes com as cidades italianas vizinhas, sobretudo com Florença. No entanto, a cidade foi devastada pela Peste Negra em 1348, e jamais conseguiu recuperar o seu prestígio e esplendor. É como se, desde então, a cidade tivesse estagnado no tempo medieval, com suas casas em tijolo cru e suas ruas estreitas e sinuosas.

As ruas medievais de Siena

As ruas medievais de Siena

O Duomo de Siena (1215-1348) é constituído pela fusão dos estilos gótico e renascentista, e sua fachada destaca-se pela interposição de mármores verdes e brancos. Muitos artistas participaram em sua construção e ornamentação, incluindo Donatello, Pisano e Arnolfo di Cambio. Ao lado da igreja pode-se notar a presença de uma praça, que ocupa o espaço onde deveria ser finalizado o projeto do Duomo. Entretanto, o dinheiro para esta dispendiosa obra religiosa acabou, em função dos danos econômicos e sociais trazidos pela Peste Negra; daí a sua aparência inacabada.

Duomo de Siena

Duomo de Siena

A Piazza del Campo é uma das mais belas praças medievais da Itália. É impossível não ficar impressionado com a sua exótica forma de concha, circundada por antigos palácios, dentre eles, o Palazzo Pubblico. Datado de 1297-1342, este palácio possui, em seu interior, uma série de afrescos, além de abrigar um museu. Na parte externa do Palazzo Pubblico, merece destaque a Torre del Mangia, construída em 1348, com 102 metros de altura, e em cuja base vislumbra-se o pórtico da Capela de Piazza, construído em 1300.

Piazza del Campo

O Palazzo Pubblico na Piazza del Campo

No centro da Piazza del Campo situa-se a Fonte Gaia, construída entre 1409-1419 e considerada a “rainha das fontes sienenses”. As pequenas esculturas nela presentes representam a criação de Adão.

Fonte Gaia

Fonte Gaia

O Palio é a festa mais tradicional de Siena, reunindo milhares de participantes e espectadores. O evento incita a rivalidade entre as 17 vilas que compõem a cidade, através de uma emocionante corrida de cavalos em torno da Piazza del Campo. A duração da disputa não ultrapassa dois minutos! Mas os preparativos para a festa acontecem vários meses antes do evento. Cada vila é representada por um cavalo; o vilarejo vencedor recebe o Palio, um estandarte de tecido pintado com imagens sagradas, que depois é transportado até o Duomo. O Palio acontece duas vezes por ano, durante o verão: o primeiro em 2 de Julho, e o segundo em 16 de Agosto.

Uma pintura do emocionante Il Palio

Uma pintura do emocionante Il Palio

01/06/2009 Posted by | Cultura, Mundo, Turismo | | 3 comentários

IMPRESSÕES: Granada, uma explosão transcendental no coração da Andaluzia

Por Flaviane Carvalho

 

Conhecer Granada – cidade espanhola localizada na região da Andaluzia – é sentir, como seu próprio nome já assinala, uma “explosão” de surpresas transcendentais. Logo ao chegar na cidade, é possível vislumbrar a alva e ofuscante Sierra Nevada, o terceiro maciço montanhoso mais alto da Europa, que chega a atingir 3.482 metros.

A Sierra Nevada, maciço montanhoso mais alto da Europa, depois do Cáucaso e dos Alpes

A Sierra Nevada, maciço montanhoso mais alto da Europa, depois do Cáucaso e dos Alpes

Granada foi a última cidade da Península Ibérica a ser tomada dos mouros pelos reis católicos, durante o período da Reconquista. E, sem dúvida, possui o mais deslumbrante e bem conservado monumento símbolo da influência moura na Espanha: a Alhambra, um palácio constituído por um complexo de fortificações pertencentes, em sua origem, aos monarcas islâmicos.

Vista parcial da Alhambra, situada em um ponto estratégico de Granada

Vista parcial da Alhambra, situada em um ponto estratégico de Granada

A principal preocupação dos arquitetos da Alhambra era preencher minuciosamente cada espaço, de modo decorativo – desde as paredes brancas em alto relevo totalmente ornamentadas até as portas e tetos em madeira cuidadosamente trabalhados. Cada olhar requer instantes de contemplação, seja nos belos Jardines de Daraxá, seja nas visões artísticas e deslumbrantes observadas através de cada janela, ao fim de cada corredor, à entrada de cada porta.

 

Jardines de Daraxa

Jardines de Daraxa

 

 

Os inúmeros arabescos lapidados nas paredes e janelas da Alhambra

Os inúmeros arabescos lapidados nas paredes e janelas da Alhambra

 

Detalhe do teto de madeira do "Cuarto Dorado"

Detalhe do teto de madeira do "Cuarto Dorado"

 

Raios de luz e beleza vindas das janelas do Oratório

Raios de luz e beleza vindas das janelas do Oratório

Chama atenção o fato de que a maioria dos arcos interiores da Alhambra são falsos, ou seja, não sustentam nenhuma estrutura, servindo apenas de ornamento. Além disso, somente a Alhambra possui um tipo de coluna muito fina, cuja fragilidade e delicadeza culmina com anéis adornados. O Patio de los Leones é um exemplo bastante ilustrativo do emprego deste tipo original de coluna.

 

As finas colunas do Patio de los Leones

As finas colunas do Patio de los Leones

 

O Patio de los Arrayanes, atualmente chamado de Patio de los Mirtos, destaca-se pelo belo contraste resultante entre o comprido e estreito tanque de águas verdes e a claridade branca do piso de mármore do pátio.

O Patio de los Arrayanes

O Patio de los Arrayanes

Sobre este palácio de peregrina beleza, brilha a grandeza do Sultão. Brilha sua beleza e suas flores, a chuva das nuvens o cobrem generosamente. As mãos de seus criadores teceram em seus lados bordados que parecem flores de jardim (…)”. Esta é uma das inúmeras qualificações poéticas descritas pelos mouros acerca de El Generalife – “o jardim do arquiteto” – obra realizada pelo Sultão Muhammad II (1273-1302).

A diversidade de cores e matizes das flores de El Generalife

A diversidade de cores e matizes das flores de El Generalife

Uma das construções mais curiosas deste jardim é o Patio de la Acequia, cuja única abertura para o exterior resume-se a um pequeno mirador localizado no centro do recinto. Vale observar as suas janelas, situadas em um nível mais baixo, detalhe típico das construções mouras, cuja função era proporcionar a contemplação da paisagem pelos muçulmanos, frequentemente sentados ao solo para fins de oração e meditação.

Vista parcial do Patio de la Acequia

Vista parcial do Patio de la Acequia

Em épocas posteriores, o jardim se converteu no lugar de passeio e relaxamento dos reis de Granada, quando estes queriam fugir da vida oficial do palácio. De fato, a diversidade de rosas dispostas geometricamente, de cores fortes e com sedutores aromas; o barulho tranquilo das águas jorradas das fontes e o frescor emanado das frondosas árvores que perpassam por todo o jardim fazem do El Generalife um dos meios mais propícios para a meditação e, também, para a idealização do que seria o verdadeiro Paraíso…

Uma das fontes do El Generalife

Uma das fontes do El Generalife

 

Uma janela natural, em El Generalife

Uma janela natural, em El Generalife

24/05/2009 Posted by | Cultura, Mundo, Turismo | | 6 comentários

IMPRESSÕES: Verona, da história ao romance

Por Flaviane Carvalho

 

Cidade italiana situada na região do Vêneto e atravessada pelo rio Ádige, Verona sobressai pela posição geográfica privilegiada que possui, o que lhe coube um papel importante no decurso da evolução histórica, política e cultural da Itália.

A Piazza “Bra” (palavra derivada da expressão Braída, que em veronês significa “amplo espaço aberto”) é o ponto de partida para conhecer Verona. Além dos bares e restaurantes alastrados ao seu entorno, é possível observar a Arena, um surpreendente coliseu construído no século I a.C. e o terceiro maior anfiteatro da Itália, com uma capacidade para 25 mil pessoas. O passeio pela Piazza Bra estende-se naturalmente pela Via Mazzini, a rua comercial mais importante de Verona.

A imponente Arena da Piazza Bra

A imponente Arena da Piazza Bra

O trajeto segue pela Piazza delle Erbe, antigo Fórum Romano e principal centro histórico de Verona. Durante o período Medieval, esta praça abrigava uma feira típica, mantida até os dias de hoje. A Piazza delle Erbe merece um olhar atento de 360 graus. Afinal, nela se encontram a Torre Lamberti, a L’Edicola – cuja fachada é decorada com antigos afrescos – bem como outros edifícios importantes, tais como o Palazzo del Comune, o Palazzo dei Giudici e o Palazzo Mafei, em cujo topo podem ser vistas as estátuas de Júpiter, Mercúrio, Vênus, Apolo, Hércules e Minerva. À frente deste palácio situa-se, ainda, uma bela coluna de mármore com a figura do Leão de San Marco, datado de 1524 e símbolo da hegemonia das regras de Veneza sobre Verona. Quando Napoleão Bonaparte ocupou Verona, em 1797, o Leão foi retirado do topo e colocado no chão, sendo recolocado no seu lugar original somente em 1886, com a unificação da Itália.

 

Os afrescos da Piazza delle Erbe

Os afrescos da Piazza delle Erbe

 

O Palazzo Mafei e o Leão de San Marco, na Piazza Erbe

O Palazzo Mafei e o Leão de San Marco, na Piazza Erbe

Construído no século XV, o Arco della Costa conecta a Piazza Erbe com a Piazza dei Signori, também chamada Piazza Dante, em homenagem ao escritor Dante Alighieri. A Piazza dei Signori é o centro político e administrativo da cidade, e abriga dois monumentos renascentistas dignos de destaque: a Loggia del Consiglio e o Palácio del Governo.

 

Os estilos românico e renascentista na Piazza dei Signori

Os estilos românico e renascentista na Piazza dei Signori

O Castelvecchio, monumento datado do século XIV, é hoje sede do Museu Cívico de Arte, e conta com obras de Pisanello, Stefano de Verona, Mantegna, Bellini, bem como uma interessante coleção de esculturas medievais. Altivez e delicadeza são qualidades que se conjugam perfeitamente neste castelo, edificado em tijolos, grandes torres rendilhadas, pátios e pontes elevadiças. Na parte de trás do Castelvecchio, é possível contemplar a Ponte Scaligero, destruída em 1945 pelos bombardeamentos da II Guerra Mundial e posteriormente reconstruída com os materiais resgatados sobre as orlas do rio Ádige. 

A Ponte Scaligero
A Ponte Scaligero

Às margens do rio Ádige, é possível admirar o Teatro Romano – portador de um belo acervo de mosaicos romanos. De suas margens pode-se chegar, ainda, ao Duomo, típica construção românica que recebeu, em épocas tardias, retoques com traços góticos e renascentistas.

 

Um fantástico panorama de Verona a partir do Teatro Romano

Um fantástico panorama de Verona a partir do Teatro Romano

 

Vista frontal do Duomo de Verona

Vista frontal do Duomo de Verona

 

Se o escritor William Shakespeare e, séculos depois, o cineasta Franco Zeffirelli elegeram Verona como cenário da romântica e trágica história de Romeu e Julieta, podemos ter a certeza de que a opção não foi ao acaso. A cada esquina, a cidade revela-se como fascinante, sóbria e imponente. Quem passa pelas ruas da Via Cappello à procura da “Casa di Giulietta” corre o risco de não a encontrar, já que o local fica no interior de um pátio cujo acesso se dá através de uma estreita e sombria via em forma de arco. Nas paredes deste pequeno e atemporal túnel, casais enamorados rabiscam corações e escrevem testemunhos de amor para a pessoa amada – pois, segundo a tradição, este “ritual” ajuda a perpetuar o amor…

A inesquecível varanda onde Julieta se debruçava à espera de Romeu

A inesquecível varanda onde Julieta se debruçava à espera de Romeu

  
As paredes rabiscadas pelos casais apaixonados, na casa de Julieta

As paredes rabiscadas pelos casais apaixonados, na casa de Julieta

 

 

17/05/2009 Posted by | Cultura, Mundo, Turismo | | 1 Comentário

IMPRESSÕES: Uma visita ao Palácio de Queluz, local onde nasceu D. Pedro I, imperador do Brasil

Por Flaviane Carvalho

 

O Palácio Nacional de Queluz, residência de veraneio preferida pela Família Real na segunda metade do século XVIII, foi constituído por um conjunto de quintas e propriedades adquiridas por D. Pedro I. A consolidação do monumento como Palácio Real coincidiu com o anúncio do casamento de D. Pedro I com a sobrinha, futura Rainha D. Maria I, celebrado em 1760.

Sala do Trono ou “Casa Grande” é a maior das três salas de aparato do Palácio e data de 1774, sendo inicialmente utilizada para as grandes festas e recepções realizadas por D. Pedro I. Concebida ao estilo rococó francês, a Sala do Trono é ladeada por espelhos e ocupa o espaço onde anteriormente existiam cinco salas. As pinturas presentes no teto representam a Fé, o Sol, a Esperança, a Guerra, a Justiça e a Caridade.

A suntuosidade do rococó na Sala do Trono

A suntuosidade do rococó na Sala do Trono

O “Quarto D. Quixote”, decorado com pinturas de cenas da vida de D. Quixote de La Mancha, foi onde nasceu e, supostamente, morreu D. Pedro I (1798-1834), imperador do Brasil.

O "Quarto D. Quixote", onde nasceu D. Pedro I

O "Quarto D. Quixote", onde nasceu D. Pedro I

 Construída em 1784, a Sala dos Azulejos possui painéis de azulejos policromados e de estilo neoclássico, os quais representam as quatro estações, os quatro continentes e, também, algumas cenas de mitologia clássica.

A Sala dos Azulejos

A Sala dos Azulejos

Os jardins geométricos, projetados como uma espécie de extensão das fachadas internas do Palácio de Queluz, são umas das principais atrações da visita. Inspirado nos jardins do palácio francês de Versalhes, a área é simetricamente decorada com estátuas, balaustradas, fontes, azulejos e foi, no passado, local de repouso, lazer e cerimônias festivas da realeza.

Uma das belas fontes espalhadas pelo jardim do Palácio

Uma das belas fontes espalhadas pelo jardim do Palácio

Arbustos em motivos geométricos, típicos do jardim do Palácio de Queluz

Arbustos em motivos geométricos, típicos do jardim do Palácio de Queluz

O Palácio de Queluz tornou-se a residência oficial de D. João VI e sua família em 1794, lá permanecendo até a fuga da Família Real para o Brasil, em 1807, em decorrência da ameaça da invasão francesa em Portugal.

A partir de 1826, o Palácio perdeu, paulatinamente, a predileção por parte dos soberanos portugueses. Em 1908, tornou-se propriedade do Estado. Após um incêndio ocorrido em 1934 – que fatalmente destruiu o seu interior – o Palácio de Queluz foi profusamente restaurado e, desde 1940, encontra-se aberto à visitação pública.

 

10/05/2009 Posted by | Cultura, Mundo, Turismo | | 1 Comentário

IMPRESSÕES: Florença, berço do Renascimento italiano

Por Flaviane Carvalho

 

Capital da Toscana e berço do Renascimento italiano, Florença é considerada uma das mais belas cidades da Europa. Entre os séculos XV a XVII, Florença foi governada pela rica e influente família Médici – composta por banqueiros, políticos, nobres e papas – e que notavelmente se destacou pela prática do mecenato no âmbito das artes. Com efeito, esse foi o fator determinante para a efervescência e a consolidação do Renascimento na cidade, reduto e cenário artístico de gênios como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Donatello, Giotto, entre outros.

A Galleria degli Uffizi (em português, Galeria dos Ofícios) é o museu mais visitado de Florença e um dos mais importantes do mundo. A Galeria teve sua construção iniciada em 1560, com a finalidade de abrigar os principais escritórios administrativos do Grão-Ducado da família Médici, bem como os melhores trabalhos de suas coleções de arte. Transformada em museu desde 1865, a Galeria dos Ofícios possui cerca de 50 salas com pinturas dispostas cronologicamente, pelo que é possível acompanhar suas evoluções e inovações desde o século XIII até o século XVIII. Merecem ênfase as salas dedicadas ao pintor gótico Giotto, aos artistas do Renascimento, tais como Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rafael, Ticiano, Durer e, também, Botticelli, responsável pela harmonia, pureza, e vigor estético alcançados nas magníficas telas “Primavera” e “O Nascimento de Vênus”.

Vista lateral da Galleria degli Uffizi

Vista lateral da Galleria degli Uffizi

Em termos de arte renascentista, o Museu Bargello é tão importante para a escultura quanto a Galeria dos Ofícios o é para a pintura. Desde 1859, o espaço abriga o Museu Nacional, que reúne obras-primas de Michelangelo e Donatello.

David, de Donatello, magnífica escultura esculpida em bronze

David, de Donatello, magnífica escultura esculpida em bronze

A igreja de Santa Maria del Fiore, ou catedral Duomo de Florença, é uma impressionante estrutura gótica construída durante o início do século XIII e, sua cúpula, cuja imponência é predominante na parte exterior, foi acrescentada no século XV. A característica marcante desta catedral é a sua entrada, coberta por uma bela decoração em mármores de cores rosa, branco e verde.

Vista frontal da faixada do Duomo de Florença

Vista frontal da faixada do Duomo de Florença

 Logo à frente do Duomo, reluz de modo surpreendente a porta de bronze do Battistero di San Giovanni, monumento religioso construído em formato octogonal e que simboliza o “oitavo dia” – o tempo da ascensão de Cristo – e, também, a vida eterna oferecida pelo batismo. Produzidos a partir da nova técnica da perspectiva, a fim de que adquirissem profundidade, os dez painéis dispostos na porta apresentam cenas relevantes do Velho Testamento. Michelangelo alcunhou tais portas como “As portas do Paraíso”.

A porta do Batistério

A porta do Batistério

 

 

 

 

 

 

 

A técnica da perspectiva aplicada às cenas bíblicas da porta

A técnica da perspectiva aplicada às cenas bíblicas da porta

 A Igreja Santa Croce, cuja origem remonta ao final do século XIII, é famosa por conter os túmulos de Maquiavel, Galileu, Michelangelo e, ainda, um memorial dedicado ao poeta Dante Alighieri.

Estátua de Dante Alighieri, situada ao lado esquerdo da Santa Croce

Estátua de Dante Alighieri, situada ao lado esquerdo da Santa Croce

 A Piazza Signoria, também conhecida como Palazzo Vecchio, representa a gênese e a história da república florentina e mantém, até os dias atuais, a reputação de eixo político da cidade, evocando poder e grandiosidade através de suas admiráveis estátuas.

Estátuas a céu aberto na Piazza Signoria

Estátuas a céu aberto na Piazza Signoria

Detalhe da estátua "Perseu com a cabeça de Medusa", na Piazza Signoria

Detalhe da estátua "Perseu com a cabeça de Medusa", na Piazza Signoria

Datada de 1218, a Ponte Vecchio foi a primeira ponte construída sobre o Rio Arno. Reconstruída após uma inundação ocorrida em 1345, a Ponte Vecchio é hoje ocupada por uma série de lojas de ourivesaria e artesanato típico.

Ponte Vecchio

Ponte Vecchio

A visita à Florença ganha um desfecho triunfal com a subida às escadas rumo à Piazzale Michelangelo, em que é possível conferir uma réplica do David, de Michelangelo e, para além disso, desfrutar da vista panorâmica da cidade e do rio Arno.

Vista panorâmica de Florença: a cúpula do Duomo e a torre sineira de Giotto

Vista panorâmica de Florença: a cúpula do Duomo e a torre sineira de Giotto

Réplica de David, de Michelangelo

Réplica de David, de Michelangelo

Ao despedirmos de Florença, depois das autênticas aulas de arte vivenciadas na prática em cada canto da cidade, podemos sentir o peso da bagagem cultural que levaremos conosco por toda a vida…

03/05/2009 Posted by | Cultura, Mundo | | 6 comentários

IMPRESSÕES: Évora, uma cidade museu na planície alentejana

Por Flaviane Carvalho

As origens de Évora, situada na região sul de Portugal, remontam ao período do Império Romano. O ápice do seu desenvolvimento ocorreu durante a Idade Média, quando se tornou residência dos reis de Portugal. O Palácio de D. Manuel, por exemplo, também conhecido como Paço Real, foi habitado por vários monarcas portugueses. Além disso, este palácio foi o local onde Vasco da Gama recebeu a investidura para o comando da esquadra da Descoberta do caminho marítimo para a Índia, bem como o sítio em que o dramaturgo Gil Vicente representou sete dos seus autos.

Palácio de Dom Manuel

Palácio de Dom Manuel

Contudo, Évora perdeu grande parte do seu prestígio após a sua anexação pela Espanha, em 1580. A cidade perdeu  ainda mais o seu status no século XVIII, quando a universidade jesuíta (atual Universidade de Évora) foi fechada por Marquês de Pombal. Hoje, a qualidade arquitetônica e cultural da cidade é apreciada diariamente por turistas e estudantes de todo o mundo, sendo oficialmente reconhecida em 1986 pela UNESCO como Patrimônio Histórico da Humanidade.

Um dos painéis de azulejo da Universidade de Évora

Um dos painéis de azulejo da Universidade de Évora

O Centro Histórico de Évora é formado por ruas estreitas e uma série de travessas, pátios e largos, cerceados por muralhas medievais com uma extensão de mais de três quilômetros.

Vista lateral da muralha que contorna o centro histórico de Évora

Vista lateral da muralha que contorna o centro histórico de Évora

A presença marcante da religiosidade fica evidente através das mais de 20 igrejas e mosteiros espalhados pela cidade, incluindo a Sé, a Capela dos Ossos e a Igreja de Nossa Senhora das Graças. A Basílica Sé Catedral de Nossa Senhora da Assunção, mais conhecida por Catedral de Évora ou simplesmente Sé de Évora, foi iniciada em 1186 e consagrada em 1204, sendo concluída apenas em 1250. O conjunto arquitetônico da Sé é caracterizado pela transição do estilo românico para o gótico.

Entrada da Sé de Évora

Entrada da Sé de Évora

A Capela dos Ossos está situada na Igreja de São Francisco. Construída no século XVII a partir da iniciativa de monges, a capela visava simbolizar a transitoridade da vida, o que pode ser confirmado pelo célebre aviso presente à entrada: “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”.

A impactante Capela feita com ossos humanos

A impactante Capela feita com ossos humanos

O estilo renascentista pode ser apreciado na Igreja da Graça ou Convento de Nossa Senhora da Graça – popularmente chamada “Meninos da Graça” -, construída durante o século XVI.

Igreja Nossa Senhora da Graça

Igreja Nossa Senhora da Graça

Em se tratando dos vestígios romanos presentes na cidade, merece destaque o Templo Romano de Évora, que apesar de ser frequentemente chamado de Templo de Diana, na realidade, foi criado no século I d.C. em homenagem ao imperador Augusto, que era venerado como um deus durante e após o seu reinado. Séculos mais tarde, o monumento foi usado como arsenal, teatro e, até mesmo, açougue, sendo resgatado a partir de 1870.

Templo Romano de Évora

Templo Romano de Évora

O ponto de encontro da cidade é a Praça do Giraldo, onde pode-se contemplar uma bela fonte, datada de 1571. Aqui, uma pausa para o café é sempre obrigatória…

A bela fonte da Praça do Giraldo

A bela fonte da Praça do Giraldo

Ruas de Évora e suas casas brancas

Ruas de Évora e suas casas brancas

Ao caminharmos pelas ruas ladeadas por casinhas brancas e laranjeiras plantadas à beira das calçadas, ou mesmo pelo centro da cidade, com trajetos dotados de pequenas ladeiras e pedras irregulares, sem falar nos monumentos decorados com belos azulejos e varandas de ferro fundido, podemos ter a sensação de que Évora é, sem dúvida, uma cidade única. Mas, quem já visitou as cidades históricas mineiras do Brasil, influenciadas pela arquitetura portuguesa durante o ciclo do ouro (séculos XVII-XVIII), pode facilmente ser acometido por um déjà vu e pensar que Ouro Preto mais parece um retrato de Évora…

26/04/2009 Posted by | Cultura, Mundo | | 3 comentários