F5 Pelo Mundo

Mobilização civil promove um dia de limpeza em Portugal

Por Flaviane Carvalho

Um simples gesto de determinação e consciência ambiental buscou resgatar em apenas um dia os ares naturais de encanto e pureza das florestas e espaços urbanos portugueses, mobilizando milhares de pessoas.

Tudo começou em julho do ano passado, quando o técnico em logística Nuno Mendes publicou em um fórum da Internet um vídeo sobre um projeto realizado em maio de 2008 na Estônia, onde 50 mil voluntários recolheram em um dia 10 mil toneladas de lixo. Com a legenda “Para quando em Portugal?”, o vídeo acabou por despertar o interesse de mais dois membros do fórum: Rui Marinho, gerente de uma empresa de produtos químicos, e Paulo Torres, empresário comercial. Até então, nenhum dos três havia se envolvido em associações ambientais, mas todos compartilhavam da mesma inquietação: a diversidade de lixo acumulado nas cidades e florestas portuguesas.
Daí surgiu o Projeto Limpar Portugal, um movimento civil sem fins lucrativos que visou remover no dia 20 de Março de 2010 grande parte do lixo depositado indevidamente nos espaços verdes e urbanos, através da participação voluntária de pessoas particulares e de entidades privadas e públicas. Ao utilizar das redes sociais da Internet para promover o projeto e conseguir a adesão de voluntários, o movimento chamou a atenção dos órgãos de comunicação social, de prefeituras municipais e até mesmo do governo, que prestou apoio de transportes e logística. Além disso, o projeto conseguiu mapear cerca de 13 mil pontos com lixo em todo o país.

Segundo Paulo Torres, um dos mentores e coordenadores do projeto, o mutirão reuniu mais de 100 mil voluntários, que tiveram como ponto de encontro as juntas de freguesia das cidades portuguesas – espécie de micro-prefeituras situadas em cada bairro da cidade -, onde também era possível encontrar manuais com instruções sobre os tipos de vestuários e equipamentos adequados para a atividade, bem como buscar informações sobre quais áreas deveriam ser praticadas as ações conjuntas de limpeza.

As operações foram feitas em florestas, estradas e terrenos urbanos, e englobaram todos os tipos de lixo, tais como detritos, pneus, resíduos e entulhos, totalizando aproximadamente 70 mil toneladas recolhidas. Depois de separado, o lixo será distribuído pelas entidades de recolha e valorização de resíduos articuladas ao projeto.

Os responsáveis pelo projeto têm a esperança de não precisar repetir o movimento. “Esperamos que as pessoas tenham compreendido a mensagem e procurem desfazer-se do lixo de maneira conveniente”, relatou Paulo Torres ao diário português Público.

A Índia também tem aderido à ideia. Nova Delhi teve igual iniciativa na mesma data que Portugal, e no dia 15 de Agosto será a vez de Bangalore arregaçar as mangas em prol do meio ambiente. Para mais informações sobre o projeto Limpar Portugal, basta consultar o site oficial www.limparportugal.org.

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11/04/2010 Posted by | Cidadania, Meio Ambiente, Mundo | | 1 Comentário

Pegada Ecológica: qual o tamanho do impacto que você causa ao Planeta?

Por Fernanda Pessoa Rossoni

Consiste em ação e reação. Cada um de nós tem uma “Pegada Ecológica”, ou seja, praticamos ações e temos hábitos que deixam um resultado no Planeta Terra.

Imagine se todos consumíssemos uma quantidade de recursos naturais acima da capacidade de reposição do meio ambiente e produzíssemos mais resíduos do que se pode assimilar? É provável que, após determinado tempo, não haveria mais comida, nem água potável e, muito menos, ar puro para todos.

Afinal, a Terra, mesmo possuindo um eficiente sistema de aproveitamento de energia solar e reciclagem de matéria, pode chegar, um dia, à exaustão. É por isto, e para saber se as ações de cada um são sustentáveis, que existe o cálculo da Pegada Ecológica.

Trata-se de uma ferramenta que mede, por meio de questionário, a área de terra e água necessária para sustentar o consumo de alimentos, bens, serviços, moradia e energia de uma determinada população, bem como para assimilar os resíduos resultantes deste consumo.  A pegada é dividida em quatro categorias de consumo: carbono (uso de energia em casa e no transporte), alimentação, moradia, bens e serviços.

Após responder um questionário com 15 perguntas, é possível saber “quantas Terras” (medida em “hectares globais) seriam necessárias para atender às necessidades da população do planeta se todos tivessem hábitos de consumo semelhantes ao da pessoa que está fazendo o cálculo. A pegada é expressa em “hectares globais” ou “acres globais”, os quais são unidades padronizadas que levam em conta as diferenças em produtividade biológica dos diversos ecossistemas que são impactados pelas nossas atividades.

A Pegada Ecológica ajuda a perceber, então, o quanto de recursos ambientais utilizamos para sustentar nosso estilo de vida. Isto inclui a cidade e a casa onde moramos, os móveis que temos, as roupas que usamos, o transporte que utilizamos, aquilo que comemos, o que fazemos nas horas de lazer, os produtos que compramos e assim por diante.

Tudo começou no início da década de 90, quanto os cientistas William Rees e Mathis Wackernagel procuravam formas de medir a dimensão crescente dos impactos que causamos no planeta. Em 1996, eles publicaram o livro “Pegada Ecológica – reduzindo o impacto do ser humano na Terra”, o qual apresentava um novo conceito de sustentabilidade ambiental.

Segundo a ONG ambientalista WWF, desde os anos 80 a demanda da população mundial por recursos ambientais é maior do que a capacidade do planeta de renová-los. Dados mais recentes demonstram que se está utilizando 25% a mais do que o que está disponível em recursos. Ou seja, precisamos de um planeta e mais um quarto dele para sustentar nosso estilo de vida atual.

Medindo a Pegada Ecológica, as pessoas tomam conhecimento do efeito de suas ações sobre o meio ambiente. E, a partir do momento em que se conscientizam disto, podem mudar os hábitos e adquirir ações individuais e coletivas em favor de um mundo, para que a humanidade possa viver em equilíbrio com os recursos disponíveis do planeta.

Sugestões de práticas diárias para diminuir o impacto que causam ao meio ambiente não faltam:

Transporte: Ande, vá de bicicleta, faça revezamento de carros ou use o sistema público de transportes com mais frequência. Você deixará de emitir um quilo de dióxido de carbono a cada 3,5 km que você deixar de usar o carro individual.

Carro:

– Faça sempre uma revisão, pois um carro que funciona corretamente consome menos combustível e emite menos gases causadores do efeito estufa.

– Calibre bem os pneus do seu carro. Os pneus bem calibrados evitam um consumo excessivo de gasolina e dão mais segurança.

– Ao comprar, dê preferência a veículos “flex” e que sejam mais econômicos e, se puder, abasteça com álcool e não com gasolina.

Em casa:

– Procure sempre comprar aparelhos eficientes em consumo de eletricidade.

– Desligue as luzes dos ambientes não utilizados.

– Retire das tomadas os aparelhos em stand-by (os que ficam com as luzinhas vermelhas acesas).

– Substitua as lâmpadas principais da casa por lâmpadas fluorescentes compactas, pois consomem 75% a menos que as convencionais.

– Ligue a máquina de lavar menos vezes por semana e passe a verificar sempre seus gastos com eletricidade e água.

– Certifique-se que na sua casa não tem vazamentos e evite o uso abusivo de água para lavar calçadas e carros, usar baldes é sinônimo de melhor aproveitamento da água.

– Instale painéis solares para aquecer a água. Em longo prazo, você poupará energia e dinheiro.

– Se não for instalar os painéis solares, aqueça menos água do banho, pois demanda muita energia.

– Instale um chuveiro de baixa pressão.

– No banho, desligue o chuveiro quando estiver se ensaboando.

– Evite produtos com muitas embalagens, para reduzir a quantidade de lixo.

– Separe o lixo em “reciclável” e “não reciclável”. Os que puderem ser reciclados podem ser encaminhados às associações de reciclagem da sua cidade.

No trabalho:

– Ao sair, verifique se as luzes estão desligadas.

– Mantenha os aparelhos de ar condicionado a 25º C.

– Verifique se os aparelhos de ar condicionado estão na sombra. Eles consomem 5% menos se não estiverem no sol.

Para calcular sua pegada individual, acesse o site em português: http://www.pegadaecologica.org.br/

Ou, o site oficial:  http://www.myfootprint.org

Fontes:

http://www.myfootprint.org

http://www.pegadaecologica.org.br/

04/12/2009 Posted by | Meio Ambiente, Mundo | | 1 Comentário

Bolsa Verde: aplicação do princípio do “protetor recebedor” em Minas Gerais

Por Fernanda Pessoa Rossoni

Agora, a preservação das APP's e a da Reserva Legal serão recompensadas financeiramente

Agora, a preservação das APP’s e da Reserva Legal será recompensada financeiramente

Quem proteger um bem natural em benefício da comunidade receberá uma compensação financeira como incentivo à prestação de serviço de proteção ambiental. Esta definição é conhecida como Princípio do Protetor-Recebedor. Baseada neste conceito, foi instituída a “Bolsa Verde” para todo o Estado de Minas Gerais, por decreto assinado pelo governador mineiro no dia 5 de junho, dia do Meio Ambiente.

Este incentivo financeiro já existia há seis anos para propriedades localizadas no entorno de Unidades de Conservação (UC’s). Agora, passa a valer para todas as regiões do Estado.

Além de Minas Gerais, dois Estados brasileiros possuem programas baseados no princípio do Protetor-Recebedor: Amazonas (Bolsa Floresta) e Espírito Santo (Produtores de Água).

O benefício, que será concedido anualmente, prioriza os agricultores familiares e os produtores rurais cuja propriedade ou posse tenha área de até quatro módulos fiscais. Entretanto, o auxílio financeiro será progressivamente estendido a todos os proprietários e posseiros rurais do Estado, observadas as disponibilidades orçamentária e financeira.

Serão beneficiados pela Bolsa Verde os proprietários que recuperam, preservam e conservam áreas necessárias à proteção das formações ciliares – cobertura vegetal que se desenvolve ao longo de cursos d’água e em regiões inundáveis –, à recarga de aqüíferos, à proteção da biodiversidade e ecossistemas especialmente sensíveis (áreas sensíveis aos impactos ambientais adversos, com pouca capacidade de recuperação). Estes locais são denominados Áreas de Preservação Permanente (APP).

O Código Florestal brasileiro determina que, além das APP’s, o proprietário deve preservar 20% de sua propriedade (no caso do Estado de Minas Gerais), que é a Reserva Legal (RL), visando à conservação da biodiversidade da área – proteção da fauna e da flora nativas – e a manutenção dos processos ecológicos. A vegetação da RL não pode ser suprimida, caso contrário, há penalização prevista por lei.

Agora, pela Bolsa Verde, o produtor rural que conservar mais do que a legislação exige, receberá maior incentivo financeiro. Entretanto, quem cumpre exatamente o disposto na lei – APP e RL – também é beneficiado (com um valor inferior, claro). O pagamento é proporcional à área protegida, sendo que a bolsa varia de R$ 110 a R$ 300 por hectare preservado.

Os valores serão definidos pelo Comitê Executivo da Bolsa Verde. O programa já conta com 10% dos recursos do Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas do Estado de Minas (Fhidro), que equivale atualmente a R$ 7millões e 550 mil.

O Comitê Executivo da Bolsa Verde será composto por um representante de seis instituições: Instituto Estadual de Florestas (IEF); Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam); Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg); Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg); Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater); Secretaria Extraordinária para Assuntos de Reforma Agrária  do Estado de Minas Gerais (Seara).

Poderão também ser beneficiários os proprietários de áreas urbanas que se enquadrarem nos parâmetros de preservação e conservação das APP’s definidos na Lei 17.727, que regulamenta a Bolsa Verde.

Fonte: Instituto Estadual de Florestas

26/06/2009 Posted by | Meio Ambiente | | 4 comentários

Estudo do Greenpeace aponta que a pecuária é a maior responsável pelo desmatamento na Amazônia

Por Fernanda Pessoa Rossoni

Foto de Altino Machado: O Gado na Amazônia

Foto de Altino Machado: O Gado na Amazônia

O Relatório “Farra do Boi na Amazônia”, da organização não-governamental Greenpeace mostra que a pecuária é a principal causa do desmatamento na Amazônia.

O documento indica, ainda, que governo brasileiro zela pela preservação da floresta, mas também colabora com a devastação ao conceder financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para empresas do setor de carnes. Segundo o relatório, marcas de produtos conhecidos contribuem involuntariamente para esse processo.

De acordo com o estudo “Abatendo a Amazônia”, divulgado na segunda-feira (1º) pelo Greenpeace, o BNDES estaria apoiando, com mais de R$ 2 bilhões, pecuaristas responsáveis pelo desmatamento da Floresta Amazônica.

Devido a isto, o BNDES divulgou que está previsto, dentro das novas operações, que o banco poderá cancelar o crédito concedido a empresas pecuaristas, caso verifique que os recursos estão provocando desmatamento na Amazônia. “Nós estamos exigindo das empresas líderes da cadeia que elas se responsabilizem pela atitude dos seus fornecedores”, afirmou o chefe do Departamento de Meio Ambiente do BNDES, Eduardo Bandeira de Mello.

O problema estaria ocorrendo com os fornecedores. Há situações em que o frigorífico adquire o gado de um fornecedor que não está respeitando o Código Florestal, que está com algum tipo de pendência.

Conforme um dos coordenadores do Greenpeace, André Muggiati, quando uma empresa investe na região amazônica e monta uma unidade que tem capacidade de abate de milhares de animais por dia, ela está sinalizando para os produtores que eles podem desmatar e ampliar sua produção porque os animais serão comprados.

Mello admitiu que, nas operações anteriores, o banco priorizava a licença ambiental da indústria frigorífica, que, segundo ele, não mostra tudo. “E o licenciamento não cobre tudo. Quando a gente financia as operações indiretamente, por meio de agentes financeiros, o que eles são obrigados a ver é o licenciamento. E, quando você olha o licenciamento de um grande frigorífico, você vai ver que com ele está tudo certo”, disse.

O superintendente da Área de Meio Ambiente do BNDES, Sergio Weguelin, afirmou que a instituição entrou como sócia em algumas empresas da indústria pecuarista. A idéia é “fortalecer o capital das empresas e trazê-las para a formalidade, para as regras de governança, para as regras ambientais, para a sustentabilidade”.

Fontes: Agência Brasil/Ecoagência, Greenpeace, Blog da Amazônia (Altino Machado)

02/06/2009 Posted by | Meio Ambiente, Política | | 1 Comentário

Febre Aftosa: por que é tão importante vacinar o rebanho?

Por Fernanda Pessoa Rossoni

Em maio, 19 Estados brasileiros e o Distrito Federal iniciaram a primeira etapa da campanha de vacinação contra Febre Aftosa em 2009, que vai até o dia 31. Esta doença ataca bovinos e bubalinos (bois e búfalos), dentre outros animais de casco fendido. Causa febre, inquietação, feridas (vesículas semelhantes a aftas) na boca, nas patas e no úbere (mama da fêmea), salivação excessiva, dificuldade de mastigar e engolir alimentos, tremores, queda na produção de leite, ferimentos nos pés, manqueira e isolamento.

De acordo com o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), a doença nem sempre é fatal, com exceção dos animais com menos de 24 meses de vida, que podem morrer sem sequer apresentar os sintomas. Estes animais são mais vulneráveis devido ao fato de terem o sistema imunológico ainda frágil.

Por isto há a necessidade de vacinação em duas etapas. Na primeira (mês de maio, na maioria dos Estados), todo o rebanho é vacinado, independentemente do sexo e da idade, inclusive as fêmeas prenhes. Na segunda etapa (normalmente no mês de novembro), são vacinados apenas os animais de até 24 meses. Estes últimos têm que ser vacinados duas vezes por ano e, à medida que vão ficando mais velhos, recebem apenas uma dose anual (reforço).

O principal efeito da Febre Aftosa é a barreira comercial. A ocorrência da doença fecha o mercado aos produtos de origem animal vindos das regiões onde ocorrem casos da doença. O alto poder de difusão e a possibilidade de veiculação do vírus por grandes distâncias e períodos faz com que outros países deixem de importar os produtos dos lugares que não estão livres da Febre Aftosa.

Não existe tratamento para esta doença. Por isto, o sacrifício do animal é a principal medida de controle para evitar a difusão. Assim, a vacina tem papel fundamental na erradicação e prevenção da doença no Brasil.

A vacinação dos bovinos e bubalinos acontece de acordo com as datas estabelecidas pelo calendário do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Ela é praticada em todos os Estados e no Distrito Federal, com exceção do Estado de Santa Catarina, que é livre da doença e não pratica a vacinação desde o ano de 2000.

 

QUANDO E COMO VACINAR

Devem ser vacinados todos os bovinos e bubalinos de todas as idades. A vacinação é obrigatória, por isto, os produtores devem adquirir a carta de vacinação e o cartão de controle sanitário.

Os criadores recebem via correio a “Carta Aviso de Vacinação” emitida pelo órgão de defesa animal (um exemplo é o IMA, em Minas Gerais). Nesta carta, o produtor declara todo o rebanho, fazendo a discriminação dos animais por sexo e por idade. Este documento deve ser apresentado no momento da compra da vacina.

A vacina contra Febre Aftosa não provoca efeito colateral. No entanto, segundo a médica veterinária Rita de Cássia Pessoa, alguns produtores reclamam que as vacas produzem menos leite (durante três dias) e que ocorre formação de um “caroço” no local da vacina. A queda na produção de leite é justificada pelo estresse causado ao animal no dia da vacinação. Na ocasião, os animais são colocados juntos em um espaço pequeno, imobilizados e, então, a vacina é aplicada. Daí o estresse, justifica a veterinária.

O cisto (caroço) que eventualmente aparece após a vacinação também tem explicação. A dra. Rita de Cássia afirma que ele pode ser decorrente da falta de técnica do aplicador ou da sensibilidade particular do animal. Além disto, utilização de agulhas sujas ou de tamanho inadequado pode também resultar em caroço.

As agulhas para aplicação da vacina têm que ser lavadas em água potável, mas não se deve usar desinfetantes, pois eles podem modificar a vacina. Além disto, a agulha que foi usada na aplicação não pode ser inserida no frasco novamente, ou seja, uma das agulhas deve ficar inserida o tempo todo no frasco.

A vacina deve ser conservada a uma temperatura de 2º a 8º C, até o momento exato da aplicação. No caso das seringas automáticas, é necessário deixá-las no gelo entre uma aplicação e outra. Se a vacina esquentar, perde seu valor de proteção.

Após a vacinação, o produtor deve declarar-se ao IMA. É preciso apresentar a nota fiscal da compra da vacina e a Carta Aviso de Vacinação preenchida com o número de bovinos e bubalinos existentes e vacinados, separados por sexo e idade.

 

ENTENDA MELHOR A FEBRE AFTOSA

A Febre Aftosa é uma doença causada por vírus em animais de casco fendido. É altamente contagiosa: o líquido das vesículas (aftas) – da baba e do casco – contém o vírus, que é facilmente disseminado entre os animais e pode até mesmo ser transportado de um lugar ao outro pelo calçado de quem circula entre o rebanho e por rodas dos veículos.

Dra. Rita de Cássia explica que é por isto que são colocadas barreiras sanitárias no entorno de propriedades onde há foco da doença. Estas barreiras consistem em lugares onde há desinfecção para não disseminar (transportar) os vírus. Nelas, utilizam-se rodolúvios (para os veículos) e pedilúvios (para os pés das pessoas), que são mecanismos com substâncias desinfetantes que impedem a proliferação do vírus.

Conforme a veterinária, quando um caso de Febre Aftosa é detectado e confirmado em laboratório credenciado no Mapa, todo o rebanho da propriedade é abatido, incinerado e enterrado. O mesmo deve ser feito nas propriedades vizinhas. Se órgão de defesa sanitária descobrir que a doença ocorreu por negligência do criador, ele não recebe ressarcimento do valor do rebanho sacrificado. Além disso, a fazenda fica interditada por tempo determinado pelo Mapa conforme levantamento epidemiológico. “O prejuízo do produtor é imenso”, conclui dra. Rita de Cássia.

08/05/2009 Posted by | Meio Ambiente, Saúde | | 3 comentários

Código Ambiental de Santa Catarina: a preservação ambiental prejudica a agricultura ou vice-versa?

Por Fernanda Pessoa Rossoni

Entrou em vigor, no dia 17 de abril, sexta-feira, o Código Ambiental do Estado de Santa Catarina. A lei que cria o código foi aprovada pela Assembléia Legislativa no fim de março e, no dia 13 de abril, foi sancionada – sem alteração alguma – pelo governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira.

O código define os princípios de política ambiental para o Estado. No entanto, há uma polêmica que reside em uma das principais diferenças em relação ao Código Florestal Brasileiro: diminuição da área reservada à mata ciliar. Esta corresponde ao conjunto de árvores, arbustos e vegetação em geral que fica nas margens dos cursos d’água.

Ou seja, a mata ciliar – que é classificada como Área de Preservação Permanente (APP) – serve para proteger as margens dos rios da erosão e dos desmoronamentos causados, principalmente, pelas chuvas. Servem para evitar, por exemplo, desmoronamentos como os que ocorreram em Santa Catarina em dezembro de 2008.

Pelo Código Florestal, o proprietário precisa preservar, em cada margem de rios e córregos, 30 metros. Já pelo código de Santa Catarina, as propriedades acima de 50 hectares terão que preservar apenas dez metros. Nas pequenas propriedades, com menos de 50 hectares, a extensão diminui para cinco metros.

O gestor ambiental da Universidade Federal de Santa Catarina e coordenador do comitê estadual da reserva da biosfera da Mata Atlântica, Érico Porto Filho explica que, promovendo o desmatamento da vegetação, haverá mais infiltração e mais erosão, trazendo, consequentemente, deslizamentos e escorregamentos. “O código não é bom para o nosso futuro”, completa.

A versão final do código ficou pronta após cerca de dois anos de debate. Para os produtores, trata-se de um avanço, pois cerca de 90% dos agricultores de Santa Catarina vivem em pequenas propriedades.

Conforme o governador, a lei federal inviabiliza a permanência deles no campo, por isto ele defende a necessidade de cada Estado ter seu próprio código ambiental. “Nós temos que escolher. Nós queremos lavouras ou favelas? Este código ambiental precisa ser flexibilizado para a realidade dos Estados”, afirma o governador Luiz Henrique da Silveira.

No entanto, o código está sendo questionado pelos ministérios públicos Estadual e Federal. “Na verdade, a legislação estadual só pode complementar a legislação federal, de maneira a proteger mais o meio ambiente. Se ela não protege, se ela reduz esta proteção, ela é inválida”, diz a procuradora do Ministério Público Federal, Ana Lucia Hartmann.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, declarou-se contra o código de Santa Catarina. Ele pediu que a Advocacia Geral da União questione o novo Código Ambiental Catarinense no Supremo Tribunal Federal. Segundo o ministro, quem não respeitar a lei federal no estado será multado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“Nós vamos dar uma orientação muito clara ao Ibama para que desconheça essa lei. O Ibama em Santa Catarina fará valer a lei federal, ou seja, quem desmatar ou fizer um empreendimento a dez metros de um rio, que a lei federal diz que tem que ser preservado, terá o projeto embargado. Se o responsável insistir, será preso e, em suma, será tratado como um transgressor da lei, um criminoso ambiental”, concluiu Carlos Minc.

Fontes: Ambiente Brasil e Portal G1

27/04/2009 Posted by | Meio Ambiente | | Deixe um comentário