F5 Pelo Mundo

Um Passeio no Coração Sofrido das Gerais

Por Délio Pinheiro

No último mês de janeiro, já findo graças à incansável sanha do tempo, iniciei um novo trabalho. Agora me dedico às assessorias de comunicação do CAA, Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas, e da AMA, Articulação Mineira de Agroecologia.
O CAA é uma ONG respeitadíssima, que se esforça há quase 25 anos para assegurar melhor qualidade de vida aos pequenos produtores rurais de comunidades tradicionais do Norte de Minas. Vazanteiros do rio São Francisco, índios xacriabás, comunidades quilombolas e geraizeiros, entre outros, se enquadram neste rol de prioridades do CAA. Trata-se de um trabalho sério, com muitos serviços prestados ao povo, sobretudo o mais humilde, da região.
Uma das minhas pretensões neste ano de 2010 é não trabalhar em rádio, coisa que fiz na maior parte de minha vida até aqui. Refiro-me a trabalhar em uma emissora, uma vez que alguns dos trabalhos que consegui para este ano incluem, justamente, programas radiofônicos, para prefeituras, Câmaras Municipais e o próprio CAA. Mas este trabalho em “rádio” será um trabalho prazeroso, feito nos cinco dias da semana que Deus planejou para trabalharmos. Deixando os fins de semana para descansar, viajar e outras coisas que fiquei tanto tempo praticamente impedido de fazer graças ao trabalho diário em uma emissora.
Mas vamos ao que interessa, logo no meu primeiro dia de trabalho no CAA fui escalado para fazer uma visita ao tradicional Brejo dos Crioulos, comunidade quilombola que se localiza no vórtice de três municípios do Norte de Minas: São João da Ponte, Verdelândia e Varzelândia. A luta e os costumes daquela gente já foram estudados em teses de mestrado, doutorado e são bastante conhecidas também fora dos anais acadêmicos. Mas era a primeira vez que eu iria conhecer in loco tal realidade e qual não foi a minha surpresa ao me deparar com algumas das pessoas mais gentis que conheci na vida até agora.
Sim, são os quilombolas do Brejo dos Crioulos. Esta denominação abrange os moradores de algumas comunidades como Caxambu, Furado de Modesto e Orion, todas nas redondezas. Mas é como Brejo dos Crioulos, nome forte e acolhedor, que eles se uniram para lutar.

Criança dop Brejo

Saímos de Montes Claros na fumaça do dia, quando o alvorecer anunciou uma quarta-feira de sol. No carro do CAA, além de mim, estavam Carlos Dayrell, Adriana Rocha e minha querida ex-colega de Jornalismo, Helen Santa Rosa, que precisou se despedir de seu filho de apenas seis meses, deixando-o com a avó, antes de pegarmos a estrada. Ócios do ofício.
Chegamos à comunidade de Araruba por volta das 10h da manhã, após sacolejarmos durante mais de três horas em estradas de asfalto e de terra. Ao chegarmos conheci uma figura muito divertida chamada Nequinha. Ele vive fazendo gracejos, alguns incompreensíveis, e truques de mágica, estes muito bons. Além de possuir uma inocência comovente, Nequinha é uma espécie de guia, quando ciceroneia os visitantes pelas entranhas do território quilombola já reconquistado na justiça. Uma ínfima parte daquilo que eles, efetivamente, são merecedores.
Tudo lá é simples. As casas, as acomodações para as reuniões, os hábitos. Mas nesta simplicidade esconde-se uma notável vontade de viver e de se libertar das amarras da injustiça. Os pioneiros da região, que viviam em um quilombo nos tempos árduos da escravidão, prezavam por sua liberdade, e os descendentes destes escravos, alguns bastante estudados e escolados na vida, se dedicam ao mesmo metié tantos anos depois.
A luta parece nunca cessar. Os capitães do mato de hoje são ricos fazendeiros que se apossaram da terra há muitas décadas acenando com suas falsas escrituras, expropriando os moradores de suas campinas férteis e de seu jeito de viver, confinando-os em lugarejos empoeirados, sem horta, sem plantação. Lugarejos como Araruba.
Mas a alma dessa gente clama por justiça e liberdade, como diz a música do Grupo Agreste: “Pois quem nasceu pra ser guerreiro não aceita cativeiro”. E eles foram à luta. Já reconquistaram um naco importante da suas antigas terras e esperam que o STJ, onde foi parar a pendência, possa autorizar a ocupação de todo o território.
Enquanto isso não acontece a luta continua. Tive a honra de ser chamado por eles de “aliado”, de ter almoçado sua comida simples e salgada, de ter fotografado seus filhos e seus pais e ter conhecido “Seo” Elizeu, um negro retinto, de quase 80 anos, com seus olhos faiscantes e vivazes e uma energia invejável. Basta informar que sua esposa ainda está na casa dos 20 anos e o casal tem filhos ainda pequerruchos.

Pai e Filho no Brejo dos Crioulos

Ao final da visita, devidamente municiado de fotografias e emoções, ainda fui presenteado com uma garrafa pet até o gargalo com fava, uma delícia produzida por lá. Uma gentileza de “seo” Elizeu para seus amigos e “aliados”. Não precisava.
Conhecer essa gente batalhadora foi o melhor presente que podia ganhar.

Mocinha na janela

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01/03/2010 Posted by | Cultura | | 3 comentários

Acervo da casa de Hansen Bahia é restaurado pela primeira vez

Por Carla Santana

Exposição inédita de xilogravuras e matrizes restauradas marca a celebração dos 95 anos de nascimento do artista alemão

Se estivesse vivo, o artista plástico alemão Karl Heinz Hansen, ou Hansen Bahia, como é conhecido, completaria 95 anos de idade em abril. Para marcar a data, a Fundação Hansen Bahia realiza, entre os dias 23 de fevereiro e 3 de abril (de segunda a sexta-feira das 9h às 18h30 e aos sábados até às 13h), na galeria do Instituto Cultural Brasil-Alemanha (ICBA), uma exposição de xilogravuras e matrizes que compõem o acervo da casa em São Félix, interior da Bahia, onde o artista viveu os últimos anos de sua vida ao lado da esposa, Ilse Hansen.  As matrizes que serão apresentadas na Exposição Hansen Bahia 95 anos estavam integradas às paredes da casa localizada na Fazenda Santa Bárbara e faziam parte da intimidade do artista. “Todas foram restauradas pela primeira vez por meio de um investimento do governo alemão da ordem de R$ 85 mil”, conta a curadora da exposição, Lêda Deborah.
Esta é a segunda vez que o Governo Alemão patrocina investimentos na Fundação Hansen Bahia. Nos anos 90, também com a intervenção do consulado alemão, a Embaixada da República Federal da Alemanha no Brasil contribuiu com aquisição de computador, construção da reserva técnica de São Félix, restauro e emolduramento de obras para exposição. “Hansen e um artista impressionante e importante, um presença alemã forte na Bahia e a obra dele tem que ser preservada”, afirma o atual cônsul da Alemanha na Bahia, Hans Jürgen.
Segundo o diretor executivo do Goethe-Institut Salvador-Bahia, Ulrich Gmünder, o artista alemão que, ao radicar-se na Bahia, introduziu a xilogravura no Estado merece este novo apoio. “Para nós, é uma grande honra poder conservar a obra de Hansen. Esperamos que o público aproveite para conhecer melhor as obras dele”, declara Ulrich.
Para o artista conselheiro da Fundação Hansen Bahia, Justino Marinho, “a iniciativa do governo alemão foi bem vinda, porque a obra de Hansen tem um valor muito grande e marca um período importante das artes baianas. Vale destacar que além dos trabalhos de Hansen foram restauradas obras de outros artistas importantes como Carybé, Mario Cravo, Genaro e outros, que fazem parte do acervo deixado pelo gravador”, declara.De acordo com o restaurador das matrizes, José Dirson Argolo, o estado de conservação das 22 peças estava muito comprometido. “Nem sempre o artista se preocupa com a manutenção de sua arte. Hansen, por exemplo, utilizou materiais como compensado, que não resiste ao ataque de cupins e infiltrações. Por isso, o processo de preservação é necessário e, neste caso, demandou um trabalho árduo que realizamos em 10 meses”.

Limão: Matriz de xilogragura de Hansen Bahia restaurada por José Dirson

Tudo novo

O restaurador João Magalhães foi o responsável pelo “conserto” de 56 xilogravuras, sendo 27 da coleção “Navio Negreiro” e 15 da “Via Crucis do Pelourinho”. Entre as demais gravuras restauradas estão “O diálogo das héteras”, “Portas e janelas”, “Cangaceiro a cavalo”, “Vaqueiro laçador”, “Grande Candomblé”, “Forte de São Marcelo”, “Flor de São Miguel”, “Amigas em vermelho”, “Boi caído” e “Amigas no banho”.  Outras obras de Hansen restauradas foram “Limão”, “Noé e as pessoas que oravam na popa da arca”, “Batalha das Amazonas”, “São Miguel”, “O cavaleiro, a morte e o diabo” e “Aniversário de Ilse”.

Nem todas as obras restauradas estarão no ICBA durante a exposição que começa logo depois do Carnaval, apenas as de autoria de Hansen Bahia que puderam ser retiradas da casa, já que algumas não puderam ser removidas por estarem profundamente embutidas em paredes. Estas serão restauradas in loco na última semana de janeiro. Todas as obras restauradas, porém, continuarão fazendo parte do acervo da casa e poderão ser vistas na cidade de São Félix a partir de abril.

Restauração das matrizes

Segundo José Dirson, o processo de restauração das matrizes começou com uma limpeza superficial. Depois, a camada pictórica sofreu um faceamento (proteção com papel japonês e um tecido fino). Só então os carpinteiros escavaram as paredes em volta das peças que foram retiradas e embaladas em plástico bolha e espuma de nylon. A madeira passou por um consolidamento, ou seja, teve sua parte carcomida substituída por compensado naval de cedro previamente imunizado. Após a reintegração cromática e os retoques feitos com tintas importadas exclusivas para restauração (mameri), as obras receberam um verniz protetor e molduras de cedro.

Restauração das xilogravuras

O restaurador das xilogravuras, João Magalhães, conta que “após a limpeza a seco para tirar gordura, foram retiradas as fitas adesivas e emendas de papel. Depois, as xilogravuras foram lavadas em solução de água deionizada com hipoclorito e depois só com água. O molho durou cerca de 50 minutos. Após serem retiradas da água e secadas parcialmente, as gravuras foram inseridas numa base de cola de celulose. O papel ainda úmido foi prensado com camadas de papel mataborrão para não ondular. Essas camadas foram acrescentadas em tempos espaçados de até 24 horas durante uma semana. Só depois desse tempo foram feitos a obturação de lacunas de papel (com cola de celulose), o reforço do papel e os retoques de tinta, quando necessários”.

Fundação Hansen Bahia

Instituição cultural e educativa sem fins lucrativos destinada a colaborar no fomento da produção cultural do recôncavo baiano, o Museu Hansen Bahia foi inaugurado no dia 19 de abril de 1978, dois anos após o generoso gesto de Hansen Bahia de doar seu acervo e criar a Fundação. Segundo o coordenador executivo da Fundação, Raimundo Vidal, há 34 anos de existência a fundação assegura a preservação da obra de Hansen Bahia e desenvolve exposições com visitas monitoradas, tanto no Museu em Cachoeira – que em breve terá sua sede própria – quanto na Casa dos Hansen, onde está o Memorial Póstumo em São Félix, além de realizar exposições temporárias em outras cidades.
“A Fundação possui aproximadamente 12 mil peças do artista alemão, mil de Ilse Hansen, além de muitas outras assinadas por outros artistas. No total, são mais de 13 mil obras de arte. Somando-as aos objetos (mobiliário,instrumentos e acessórios, dentre outros), o acervo total do museu está estimado em 18 mil peças”, afirma.“A Fundação-Museu Hansen Bahia sempre contou com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia. Através de convênios com o Estado, o Museu vem garantindo o seu funcionamento e a preservação do seu acervo”, destaca o coordenador executivo da Fundação, Raimundo Vidal.

Hansen Bahia

Karl Heinz Hansen nasceu em 19 de abril de 1915, em Hamburgo, Alemanha. Foi marinheiro, escultor, poeta, escritor, cineasta, pintor e xilógrafo. Seus primeiros trabalhos artísticos surgiram no início dos anos 40. O homem foi o seu grande tema e a xilogravura – arte tradicional no seu país – a técnica mais utilizada.
O período de iniciação artística coincidiu com o desenvolvimento da gravura alemã e com o começo de vários movimentos artísticos importantes na Europa, a exemplo do expressionismo, ao qual foi fiel em toda sua produção. Autodidata na técnica que lhe garantiu sucesso internacional, Hansen talhava a madeira com precisão e perfeição partilhada por poucos.Em 1950, deixou a Alemanha e veio conhecer o Brasil. Em São Paulo, trabalhou como artista gráfico na editora Melhoramentos. Cinco anos mais tarde, mudou-se para a Bahia, onde viveu e produziu intensamente. A paixão pelo estado fez com que o primoroso gravador, depois de conquistar reconhecimento internacional, incorporasse o nome da terra e assumisse a assinatura Hansen Bahia. “Antes de vir para a Bahia era só marinheiro. Quando aqui cheguei, nasci pela segunda vez e tornei-me artista”, declarou em vida.Amante da nova terra, Hansen Bahia não se contentou apenas em naturalizar-se brasileiro. Doou à Bahia, especificamente à cidade de Cachoeira, as obras relevantes do seu acervo e criou a Fundação Hansen Bahia, através de testamento, em abril de 1976. Apenas dois meses depois de inaugurar a primeira sede da fundação, o artista faleceu no dia 14 de junho de 1978, deixando para a Bahia o seu legado mais valioso: um enorme acervo de obras de arte e trinta livros publicados.

19/01/2010 Posted by | Cultura | | 3 comentários

Um novo trono na MPB

Por Délio Pinheiro

Em uma recente viagem de carro ocorreu-me de ouvir um álbum chamado “duetos” de Roberto Carlos. O que se seguiu na audição mais ou menos atenta foi um CD cheio de altos e baixos. E acho que estas características simplistas são úteis para entender a carreira daquele que, para muitos, é o “Rei”.
Se por um lado o álbum, que tem faixas pinçadas nos indefectíveis e inevitáveis especiais de fim de ano na TV, tem momentos brilhantes como quando Roberto canta com seu parceiro Erasmo um medley de rockões sessentistas como “tutti frutti” no especial de 77 e quando ele passa uma quase descompostura em Tom Jobim no dueto de Ligia do especial de 1978, tem também momentos bobos e pouco inspirados como na canja com Ivete Sangalo e com Chitãozinho e Xororó, para citar apenas dois.Este é o problema de Roberto Carlos, a falta de maior critério em suas escolhas. Seja no repertório insuportável que ele adotou desde os anos 80 com suas xaropadas românticas e músicas religiosas e, o que é pior, com as verdadeiras derrapadas artísticas como nas músicas bobas dedicadas a gordinhas, baixinhas, mulheres que usam óculos, mulheres que tem o pé grande e outras que não merecem nem uma nota de roda-pé em sua biografia. Biografia que ele, aliás, censurou.
O mencionado álbum ainda traz um emocionado Raimundo Fagner dizendo que sua carreira deslanchou após Roberto ter gravado “As velas do Mucuripe” no início da carreira do cantor cearense e outros bons momentos como os duetos com Milton e Caetano Veloso. Mas a inexpressiva Ivete Sangalo deixa claro que a opção do cantor e compositor capixaba é nivelar a todos no mesmo patamar. Patamar que, a julgar pela presença inacreditável de uma certa banda chamada “Calcinha Preta” em seu último especial de fim de ano, ficará ainda mais mal freqüentado daqui pra frente.
Juro que presenciei a presença desta “banda” no especial do cara. E ainda por cima tive o desprazer de ver o “diálogo” que se seguiu. Roberto perguntou para uma das vocalistas porque o nome da “banda” era Calcinha Preta e não Calcinha Azul, como seria de seu agrado. Depois os “músicos” atacaram com o tema da Norminha da novela Caminho das Índias.É Roberto, você valia muito e eu gostava de você. Principalmente do roqueiro dos anos 60 que queria que tudo fosse para o inferno a bordo de seu calhambeque e de seus álbuns de soul nos anos 70, mas lamento profundamente seu ocaso.
Portanto para mim, depois de analisar com acuidade a carreira dos grandes nomes da MPB vou eleger um novo “Rei”, levando em conta a qualidade de suas letras, sua postura diante dos anos de trevas, a maravilhosa Literatura que ele nos premia desde o fim dos anos 90 do século passado e também por sua coerência artística. Chico Buarque de Holanda, você é, pelo menos pra mim, o verdadeiro “Rei” de nossa música.

18/01/2010 Posted by | Crônicas, Cultura | | 1 Comentário

Valor nutritivo de pratos típicos da Chapada Diamantina

Por Carla Santana

 

Chapada_diamantina

A culinária da Chapada Diamantina segue os traços históricos do lugar, por meio de uma junção das influências de escravos e garimpeiros que viveram por lá nos séculos XVII e XVIII, respectivamente. Um dos pratos mais tradicionais é a galinha ao molho pardo, feita com o sangue da própria ave, além da carne-de-sol. Os acompanhamentos ficam por conta do arroz com pequi e ensopado de carne-seca com banana verde, além de uma combinação de banana da terra com abóboras e feijão verde. “De modo geral, são comidas que repõem todas as energias gastas nas visitas e atividades físicas realizadas por turistas que visitam o lugar”, afirma a conselheira do Conselho Regional de Nutricionistas da 5ª Região (CRN-5), Ana Paula Passos.

Feijão verde

O feijão verde combinado com abóbora e banana da terra é tradição

Segundo a nutricionista, o sangue das aves contém pouquíssimos nutrientes importantes para humanos, servindo basicamente para dar o sabor à galinha ao molho pardo. O prato tem um alto teor de gordura, por isso é melhor não exagerar. “Para evitar a ingestão de impurezas, é preciso cozinhar bem a ave”, diz. A carne do sol, rica em proteína, pode ser mais saudável se for assada, ao invés de frita.  O feijão verde não é mais do que a vagem do feijão seco, colhida antes do desenvolvimento das sementes. Além de ser rico em ferro, ele protege o sistema cardiovascular, devido ao seu elevado conteúdo de fibra, potássio, magnésio e ácido fólico.

Como as temperaturas da região da Chapada são baixas de abril a novembro, os habitantes não têm muito costume de comer saladas frias. Ainda bem que como fonte de fibras, eles consomem mamão verde e o famoso godó, prato que mistura banana e abóbora e que “sozinho serve como uma boa refeição, sem precisar de acompanhamento”, garante Ana Paula. A abóbora também é fonte de fibras, embora seu valor nutricional seja maior pela grande quantidade de Vitamina A e betacaroteno contidas na hortaliça.

Pequi: rica em vitaminas

Anatomia do Pequi

O Pequi, fruta típica do cerrado brasileiro, de cheiro forte e adocicado e casca verde-escuro, tem várias camadas internas. Primeiro há uma polpa verde-claro com a consistência de um abacate, que não é aproveitada pelas receitas. Dentro dela está a melhor parte: uma semente amarela cuja consistência, cor e até mesmo o cheiro lembram a manga. É justamente essa parte do pequi que vai para a panela. Mas é preciso ter cuidado ao saboreá-lo: o caroço, bem macio, não deve ser mordido, mas sim raspado com os dentes, pois dentro dele há vários espinhos que podem ferir.

 O alimento é considerado pelos moradores da Chapada afrodisíaco para os homens e fortificante para as mulheres grávidas. Essa segunda qualidade pode ser verídica devido à alta quantidade de vitamina A do pequi, já que 100 gramas de polpa comestível de pequi contém 20 mil miligramas de vitamina A, 12 mg de Vitamina C, 30 mg de vitamina B, 463 mg de riboflavina e 387mg de niacina. Toda a população pobre da região ocupada pelo pequi, de setembro a dezembro, consome o fruto em boa quantidade, com arroz, carnes, angu e em sopa, doces e na cachaça.

 Frutas cítricas

A Chapada é uma região muito propícia para o cultivo de frutas cítricas. Um exemplo é a tangerina “Ponkan”, rica em vitamina C e de qualidade superior a das desenvolvidas em outras lugares do país. Outro fruto pouco conhecido nos grandes centros urbanos e muito comum na região é a mangaba, rica em vitamina A, B1, B2, B3 e Vitamina C. É eficaz contra úlcera, herpes e tuberculose; tem ação digestiva; contém fibras, carboidratos, cálcio, ferro e fósforo. “A mangaba ajuda também a prevenir a cegueira e oferece benefícios para a pele e o cabelo”, conta a conselheira do CRN-5, Ana Paula Passos.

O gosto da mangaba é bem diferente para turistas de primeira viagem

O gosto da mangaba é bem diferente para turistas de primeira viagem

Ainda segundo a nutricionista, são vários os motivos para comer muitas frutas e vegetais, seja na Chapada ou em qualquer outro lugar. Alimentos de origem vegetal ajudam a diminuir a gordura na dieta, controlam o peso corporal e combatem doenças. “Vivemos hoje como se estivéssemos retrocedendo no tempo e buscando hábitos de vida que tinham nossos antepassados. É como se quiséssemos viver e nos alimentar como faziam nossos avós. Tudo isso em nome na qualidade de vida”, conclui.

19/08/2009 Posted by | Cultura, Saúde, Turismo | | 3 comentários

IMPRESSÕES: À descoberta de Gênova, a suposta terra natal de Cristóvão Colombo

Por Flaviane Carvalho

 

Margeada por uma extensa bacia hidrográfica e protegida por um conjunto acidentado de montanhas, a cidade de Gênova abriga o mais importante porto marítimo da Itália, além de destacar-se como pólo comercial e industrial de notável desenvolvimento no norte do país.

 
Gênova e sua topografia irregular

Gênova e sua topografia irregular

 Cais movimentado por famílias e jovens genoveses, marinheiros e turistas, o Porto Antico (“Porto Antigo”) é considerado o coração de Gênova, representando o pilar do seu poder como cidade portuária durante os séculos XI e XII. Por entre os vestígios da glória medieval, é possível visualizar um imponente farol – a Lanterna –, localizada próxima da Estação Marítima. E, para os apaixonados na biodiversidade marinha, o Porto Antico também acolhe o maior aquário da Europa.

A "Lanterna", símbolo do Porto de Gênova

A "Lanterna", símbolo do Porto de Gênova

Duas belas vias genovesas são dignas de ênfase. A primeira é a Via Balbi, em que está situado o Palazzo Reale (“Palácio Real”), pertencente aos reis de Sabóia durante o século XVII. Esta austera residência possui um interior talhado em rococó e um encantador jardim, de onde é possível admirar parte do Porto Antico e da topografia montanhosa e irregular de Gênova.

Vista parcial do Palazzo Reale e do seu jardim

Vista parcial do Palazzo Reale e do seu jardim

A segunda é a Via Garibaldi, com mansões e palácios datados do século XVI, dentre eles, o Palazzo Bianco (“Palácio Branco”) – que contém a coleção de pinturas mais relevante da cidade, incluindo várias obras de artistas genoveses -, e também o Palazzo Rosso (“Palácio Vermelho”) que, além de conter pinturas de Durer e Caravaggio, dispõe de peças de cerâmica, mobiliário e moedas.

Palazzo Bianco

Palazzo Bianco

Palazzo Rosso

Palazzo Rosso

 

 

O Duomo ou Catedral de San Lorenzo é uma igreja medieval construída em 1100, e associa vários estilos arquitetônicos, especialmente o românico, o barroco, e o gótico. Este último pode ser facilmente observado na fachada da catedral, alternada com faixas brancas e negras.

Duomo de Gênova

Duomo de Gênova

Nas proximidades do Duomo, aos sábados, é possível visitar um mercado de produtos irresistíveis! Salames e queijos das mais variadas regiões da Itália podem ser conhecidos e saboreados por gulosos e curiosos…

Uma banca de queijos apimentados da Sicília

Uma banca de queijos apimentados da Sicília

O nome do navegador Cristóvão Colombo (1451-1506) está presente em toda a Gênova. Aos arredores da estação ferroviária de Porta Príncipe, uma estátua do explorador do Novo Mundo saúda os visitantes à entrada da Piazza Acquaverde. O aeroporto da cidade também leva o nome de Colombo, além de outros diversos edifícios públicos da cidade. O pequeno sobrado, junto à medieval Porta Soprana, supostamente teria sido a casa onde Colombo passou a infância e “descobriu” a sua paixão pelo mar.

A suposta casa onde Cristóvão Colombo passou a infância

A suposta casa onde Cristóvão Colombo passou a infância

A Porta Soprana

A Porta Soprana

 

 

 

 

Partindo da idéia de que a Terra seria esférica, Cristóvão Colombo planejou chegar às Índias navegando a partir do Ocidente, contornando, assim, todo o globo terrestre. Em princípio, o navegador propôs essa empreitada ao rei português D. João II em 1484, que rejeitou patrociná-la. Colombo resolveu, então, tentar a sua sorte na Espanha, junto aos reis católicos, que concederam-lhe o apoio necessário à viagem. Contudo, acabou por descobrir um novo continente, a América, em 1492. 

Retrato pintado de Cristóvão Colombo. Fonte: Arquivo RTP

Retrato pintado de Cristóvão Colombo. Fonte: Arquivo RTP

01/07/2009 Posted by | Cultura, Mundo, Turismo | 6 comentários

O vale das possibilidades

Por Délio Pinheiro

Estive no Vale do Jequitinhonha nesta última semana. Mais precisamente em Carbonita. Ao contrário da máxima que os pessimistas vaticinam, e que já está enraizada em nossa consciência, não vi a pobreza que campeia e que faz da região uma das mais miseráveis do planeta.

O que vi, nos intervalos do trabalho e mesmo durante o labor, foi uma gente simples, de hábitos comedidos e cercada de recatos e desconfiança. E essa postura, na defensiva, se manifesta no primeiro olhar, na hora da primeira abordagem, logo após o primeiro “bom dia”.

Bastam alguns minutos, entretanto, para a verdade cabocla daquela gente aflorar. Então eles se abrem, sorriem e nos aceitam em seus mundos de simplicidade e aconchego. Foi assim em Carbonita, e desconfio que seja assim em todo o Vale.

A primeira, e boa, impressão foi dada por Norma. Ela é secretária municipal, e está prestando o mesmo serviço a três governos. Sai e entra prefeito em Carbonita, só não sai a habilidosa e competente funcionária. Essa parece ser a norma por lá.

A pobreza deste trocadilho contrasta com as virtudes da jovem senhora, que se encaixa perfeitamente no estereótipo que citei. No início ela ficou comedida, como boa mineira do Vale, mas depois, talvez ao perceber que éramos bons moços, (eu e meus dois companheiros de trabalho), ela nos brindou com sua boa vontade e sua simpatia, que não cessaram nem com o fim do expediente na secretaria.

Depois dela outras pessoas mostraram-se sem véus e pudores, sem inveja e sem discursos vazios. Como o arguto Wagner, funcionário da EMATER, e mestre nas academias e na própria vida. Um rapaz brilhante e, sobretudo, simples. E é desse modo que essa qualidade deveria se manifestar sempre em todos os seres humanos.

Conheci também a octogenária, mas com alma de menina-moça, Dona Eva, que mora em um casarão colonial com dois séculos de vida, um tanto gasto pela ação deletéria do tempo, numa região chamada Gangorras.

De lá, das janelas de duzentos anos, ela espia o mundo sem pressa, e, debruçada no fogão de lenha de mesma idade, faz seus divinos queijos, que parecem carregar a tradição e o traquejo de tantos verões, em seu sabor brejeiro. Queijo esse que é oferecido de coração aberto, com a hospitalidade típica destes rincões.

Tive a honra ainda de encontrar, em meio ao burburinho do Mercado Municipal, uma senhora espevitada chamada Aparecida, artesã de mão cheia, que faz seus trabalhos com barro, dando vida a panelas, jarros e vasos de rara beleza. Assim como é bela a alma marota da artista que, com gestos precisos, materializa sua criatividade e assegura seu sustento, e de sua família. Nem foi possível fotografar muitas destas peças porque, segundo Aparecida, não sobra nada da sua produção. Tudo é vendido.

Nas artes da mesa saboreei os quitutes de Dona Fiinha, ouvi as modas de viola de Cristal e Diamante, vi o imenso e preciso relógio e a bela igreja de Nossa Senhora da Abadia e admirei as estripulias do grupo teatral Trama, que estava por lá despertando o interesse para as artes cênicas nas crianças.

Uma bela cidade, que se faz ainda mais bela com os predicados de seu povo. Gente criativa e hospitaleira que faz-nos esquecer daquelas premissas que condenam o Vale a um penar sem fim. Desde que haja criatividade, força de vontade, honestidade e trabalho certamente a miséria dá espaço ao progresso.

E por fim dedico essa crônica a todos de lá, sobretudo aqueles que conheci e em especial ao Benezinho.

Tem mais no blog: www.deliopinheiro.blogger.com.br

28/06/2009 Posted by | Cultura, Turismo | | Deixe um comentário

IMPRESSÕES: O amor entre D. Pedro I e Inês de Castro eternizado no Mosteiro de Alcobaça

Por Flaviane Carvalho

 

Construído em 1153, o Mosteiro de Alcobaça é considerado o primeiro e maior monumento eminentemente gótico construído em Portugal, e reflete os ideais beneditinos de busca da modéstia e da humildade, do isolamento do mundo, e da dedicação exclusiva a Deus. Em decorrência disso, a igreja impressiona os seus visitantes por emanar austeridade, imponência e simplicidade.

Vista frontal da entrada do Mosteiro de Alcobaça

Vista frontal da entrada do Mosteiro de Alcobaça

Vista panorâmica de Alcobaça e seu mosteiro

Vista panorâmica de Alcobaça e seu mosteiro

No interior da igreja encontram-se os túmulos de alguns dos primeiros reis de Portugal, como D. Afonso II (1123-1185) e de D. Afonso III (1210-1279). Para além disso, o mosteiro também é conhecido por abrigar umas das mais belas e grandiosas esculturas tumulares da Idade Média: os túmulos de D. Pedro I e Inês de Castro, vítimas de uma apaixonante e trágica história de amor – narrada com brilhantismo em Os Lusíadas por Luís de Camões, um dos mais geniais poetas da língua portuguesa.

Passada esta tão próspera vitória,

Tornado Afonso à Lusitana Terra,

A se lograr da paz com tanta glória

Quanta soube ganhar na dura guerra,

O caso triste e dino de memória,

Que do sepulcro os homens desenterra,

Aconteceu da mísera e mesquinha

Que despois de ser morta foi Rainha.

(Os Lusíadas, Episódio de Dona Inês de castro, Canto III, 118)

Por razões políticas entre Portugal e Castela, o príncipe D. Pedro I, filho e herdeiro do rei português Afonso IV, foi obrigado a casar-se em 1336 com D. Constança, princesa castelhana. Contudo, D. Pedro I apaixonou-se por Inês de Castro, a camareira de D. Constança. Dias após o parto do seu segundo filho, D. Constança morreu e, a partir de então, D. Pedro I passou a viver publicamente com Inês de Castro, com quem teve três filhos. Ao saber disso, o pai de D. Pedro I desaprovou veementemente a união de ambos, pelo que mandou matar Inês de Castro em 1355. Com a morte do pai em 1357, D. Pedro I subiu ao trono e vingou-se dos assassinos de sua amada, ordenando que lhes arrancassem o coração. Declarando ter sido casado com Inês de Castro, D. Pedro I mandou exumar os seus restos mortais, e em seguida coroou-a rainha. Posteriormente, obrigou toda a corte a ajoelhar-se diante da rainha morta e beijar-lhe a mão, já decomposta e em estado de putrefação. Quando os sarcófagos de D. Pedro e Inês de Castro ficaram prontos, construídos um defronte ao outro, o rei português determinou ser enterrado de modo que, no dia do Juízo Final, ambos se olhassem diretamente nos olhos. Estes túmulos são hoje o destino de muitos apaixonados, que os visitam no dia do seu casamento, para fazerem juras de fidelidade e amor eterno.

Túmulo de Inês de Castro, sustentado por esculturas dos seus supostos assassinos, em que se mesclam elementos humanos e animais

Túmulo de Inês de Castro, sustentado por esculturas dos seus supostos assassinos, em que se mesclam elementos humanos e animais

Túmulo de D. Pedro I

Túmulo de D. Pedro I

 

21/06/2009 Posted by | Cultura, Mundo | 5 comentários

Fado, a expressão típica da cultura portuguesa

Por Flaviane Carvalho

Canto da nossa tristeza
Choro da nossa alegria
Praga que é quase uma reza
Loucura que é poesia
Um sentimento que passa
A ser eterno cuidado
Em razão duma desgraça
E assim tem de ser, é fado

(Canção Fado dos Fados)

Derivada do latim fatum, a palavra fado significa “destino”. Anseio por algo perdido ou nunca alcançado. Uma fusão de saudade, tristeza e dor. É este o gênero musical que nasceu e consagrou-se em Lisboa, onde é cultivado até os dias de hoje, em cafés, tascas e restaurantes.

Uma apresentação típica de fado

Uma apresentação típica de fado

As origens do fado são imprecisas. Há quem diga que o fado tem suas fontes ligadas às melancólicas cantigas dos mouros, que permaneceram no bairro da Mouraria em Lisboa, após a Reconquista Cristã. Contudo, as explicações mais plausíveis alegam que o fado é fruto de uma síntese entre a “modinha”, composição suave, romântica e chorosa, e o “lundu”, composto por batuques africanos e lascivos compassos entrecortados – estilos musicais populares em Portugal durante os séculos XVIII e XIX.

A primeira grande fadista portuguesa foi Maria Severa (1810-1836), conhecida por cantar e tocar guitarra nas ruas da Mouraria. Cigana e prostituta, Maria Severa teve uma vida curta e repleta de escândalos. Apesar disso, sua história foi essencial para a própria história do fado. Após a morte de Maria Severa, as fadistas passaram a vestir um xale preto, em homenagem à sua memória.

Ai Mouraria
Da velha rua da Palma
Onde eu um dia
Deixei presa a minha alma (…)

(…) Ai Mouraria
Das procissões a passar
Da Severa em voz saudosa
Da guitarra a soluçar

(Canção Ai Mouraria)

O fado moderno encontrou o seu apogeu e tornou-se mundialmente conhecido com Amália Rodrigues (1920-1999). Para além dos fados e das canções populares portuguesas, Amália cantou, de maneira primorosa e surpreendente, uma série de músicas oriundas de outras nacionalidades (francesa, italiana, espanhola, brasileira, etc.).

Amália
quis Deus que fosse o meu nome
Amália
acho-lhe um jeito engraçado
bem nosso e popular

quando oiço alguém gritar
Amália
canta-me o fado

(Canção Amália)

Uma típica apresentação de fado traz um (a) fadista e dois instrumentistas: o violinista, que confere o ritmo à canção, e o guitarrista, que toca a melodia e executa o solo. Um dos símbolos da cultura nacional, a guitarra portuguesa é um instrumento de fundo achatado, com formato de bandolim, composta por 8, 10 ou 12 cordas, arranjadas aos pares. Este instrumento evoluiu a partir de uma forma mais simples do século XIX, transformando-se em uma peça ricamente decorada, às vezes até com madrepérola. Seu som é essencial para um bom fado, pois realça e faz eco à linha melódica da cantora. Em Lisboa, é possível assistir a concertos de fado acompanhados de outros instrumentos musicais, além da viola e da guitarra, tais como o violino, o violoncelo e o contrabaixo.

 
Guitarra portuguesa

Guitarra portuguesa

Se após a leitura deste modesto texto os caros leitores ainda não tenham conseguido formular uma idéia razoável acerca do que é o fado, tento derradeiramente esclarecer, de maneira sintética e implacável, através do excerto musical abaixo… 

Perguntaste-me outro dia
Se eu sabia o que era o fado
Disse-te que não sabia
Tu ficaste admirado
Sem saber o que dizia
Eu menti naquela hora
Disse-te que não sabia
Mas vou-te dizer agora
 

Almas vencidas
Noites perdidas
Sombras bizarras
Na Mouraria
Canta um rufia
Choram guitarras
Amor ciúme
Cinzas e lume
Dor e pecado
Tudo isto existe
Tudo isto é triste
Tudo isto é fado
 

(Canção Tudo isto é Fado)

10/06/2009 Posted by | Cultura | 2 comentários

IMPRESSÕES: O mundo medieval em Siena

Por Flaviane Carvalho

 

Antigo povoado etrusco e, posteriormente, colônia romana erguida em I a.C. pelo imperador César, Siena pode ser classificada como uma autêntica cidade medieval, localizada na região da Toscana, Itália.

No decorrer do período medieval até o século XIV, Siena manteve uma acirrada rivalidade no âmbito das artes com as cidades italianas vizinhas, sobretudo com Florença. No entanto, a cidade foi devastada pela Peste Negra em 1348, e jamais conseguiu recuperar o seu prestígio e esplendor. É como se, desde então, a cidade tivesse estagnado no tempo medieval, com suas casas em tijolo cru e suas ruas estreitas e sinuosas.

As ruas medievais de Siena

As ruas medievais de Siena

O Duomo de Siena (1215-1348) é constituído pela fusão dos estilos gótico e renascentista, e sua fachada destaca-se pela interposição de mármores verdes e brancos. Muitos artistas participaram em sua construção e ornamentação, incluindo Donatello, Pisano e Arnolfo di Cambio. Ao lado da igreja pode-se notar a presença de uma praça, que ocupa o espaço onde deveria ser finalizado o projeto do Duomo. Entretanto, o dinheiro para esta dispendiosa obra religiosa acabou, em função dos danos econômicos e sociais trazidos pela Peste Negra; daí a sua aparência inacabada.

Duomo de Siena

Duomo de Siena

A Piazza del Campo é uma das mais belas praças medievais da Itália. É impossível não ficar impressionado com a sua exótica forma de concha, circundada por antigos palácios, dentre eles, o Palazzo Pubblico. Datado de 1297-1342, este palácio possui, em seu interior, uma série de afrescos, além de abrigar um museu. Na parte externa do Palazzo Pubblico, merece destaque a Torre del Mangia, construída em 1348, com 102 metros de altura, e em cuja base vislumbra-se o pórtico da Capela de Piazza, construído em 1300.

Piazza del Campo

O Palazzo Pubblico na Piazza del Campo

No centro da Piazza del Campo situa-se a Fonte Gaia, construída entre 1409-1419 e considerada a “rainha das fontes sienenses”. As pequenas esculturas nela presentes representam a criação de Adão.

Fonte Gaia

Fonte Gaia

O Palio é a festa mais tradicional de Siena, reunindo milhares de participantes e espectadores. O evento incita a rivalidade entre as 17 vilas que compõem a cidade, através de uma emocionante corrida de cavalos em torno da Piazza del Campo. A duração da disputa não ultrapassa dois minutos! Mas os preparativos para a festa acontecem vários meses antes do evento. Cada vila é representada por um cavalo; o vilarejo vencedor recebe o Palio, um estandarte de tecido pintado com imagens sagradas, que depois é transportado até o Duomo. O Palio acontece duas vezes por ano, durante o verão: o primeiro em 2 de Julho, e o segundo em 16 de Agosto.

Uma pintura do emocionante Il Palio

Uma pintura do emocionante Il Palio

01/06/2009 Posted by | Cultura, Mundo, Turismo | | 3 comentários

IMPRESSÕES: Granada, uma explosão transcendental no coração da Andaluzia

Por Flaviane Carvalho

 

Conhecer Granada – cidade espanhola localizada na região da Andaluzia – é sentir, como seu próprio nome já assinala, uma “explosão” de surpresas transcendentais. Logo ao chegar na cidade, é possível vislumbrar a alva e ofuscante Sierra Nevada, o terceiro maciço montanhoso mais alto da Europa, que chega a atingir 3.482 metros.

A Sierra Nevada, maciço montanhoso mais alto da Europa, depois do Cáucaso e dos Alpes

A Sierra Nevada, maciço montanhoso mais alto da Europa, depois do Cáucaso e dos Alpes

Granada foi a última cidade da Península Ibérica a ser tomada dos mouros pelos reis católicos, durante o período da Reconquista. E, sem dúvida, possui o mais deslumbrante e bem conservado monumento símbolo da influência moura na Espanha: a Alhambra, um palácio constituído por um complexo de fortificações pertencentes, em sua origem, aos monarcas islâmicos.

Vista parcial da Alhambra, situada em um ponto estratégico de Granada

Vista parcial da Alhambra, situada em um ponto estratégico de Granada

A principal preocupação dos arquitetos da Alhambra era preencher minuciosamente cada espaço, de modo decorativo – desde as paredes brancas em alto relevo totalmente ornamentadas até as portas e tetos em madeira cuidadosamente trabalhados. Cada olhar requer instantes de contemplação, seja nos belos Jardines de Daraxá, seja nas visões artísticas e deslumbrantes observadas através de cada janela, ao fim de cada corredor, à entrada de cada porta.

 

Jardines de Daraxa

Jardines de Daraxa

 

 

Os inúmeros arabescos lapidados nas paredes e janelas da Alhambra

Os inúmeros arabescos lapidados nas paredes e janelas da Alhambra

 

Detalhe do teto de madeira do "Cuarto Dorado"

Detalhe do teto de madeira do "Cuarto Dorado"

 

Raios de luz e beleza vindas das janelas do Oratório

Raios de luz e beleza vindas das janelas do Oratório

Chama atenção o fato de que a maioria dos arcos interiores da Alhambra são falsos, ou seja, não sustentam nenhuma estrutura, servindo apenas de ornamento. Além disso, somente a Alhambra possui um tipo de coluna muito fina, cuja fragilidade e delicadeza culmina com anéis adornados. O Patio de los Leones é um exemplo bastante ilustrativo do emprego deste tipo original de coluna.

 

As finas colunas do Patio de los Leones

As finas colunas do Patio de los Leones

 

O Patio de los Arrayanes, atualmente chamado de Patio de los Mirtos, destaca-se pelo belo contraste resultante entre o comprido e estreito tanque de águas verdes e a claridade branca do piso de mármore do pátio.

O Patio de los Arrayanes

O Patio de los Arrayanes

Sobre este palácio de peregrina beleza, brilha a grandeza do Sultão. Brilha sua beleza e suas flores, a chuva das nuvens o cobrem generosamente. As mãos de seus criadores teceram em seus lados bordados que parecem flores de jardim (…)”. Esta é uma das inúmeras qualificações poéticas descritas pelos mouros acerca de El Generalife – “o jardim do arquiteto” – obra realizada pelo Sultão Muhammad II (1273-1302).

A diversidade de cores e matizes das flores de El Generalife

A diversidade de cores e matizes das flores de El Generalife

Uma das construções mais curiosas deste jardim é o Patio de la Acequia, cuja única abertura para o exterior resume-se a um pequeno mirador localizado no centro do recinto. Vale observar as suas janelas, situadas em um nível mais baixo, detalhe típico das construções mouras, cuja função era proporcionar a contemplação da paisagem pelos muçulmanos, frequentemente sentados ao solo para fins de oração e meditação.

Vista parcial do Patio de la Acequia

Vista parcial do Patio de la Acequia

Em épocas posteriores, o jardim se converteu no lugar de passeio e relaxamento dos reis de Granada, quando estes queriam fugir da vida oficial do palácio. De fato, a diversidade de rosas dispostas geometricamente, de cores fortes e com sedutores aromas; o barulho tranquilo das águas jorradas das fontes e o frescor emanado das frondosas árvores que perpassam por todo o jardim fazem do El Generalife um dos meios mais propícios para a meditação e, também, para a idealização do que seria o verdadeiro Paraíso…

Uma das fontes do El Generalife

Uma das fontes do El Generalife

 

Uma janela natural, em El Generalife

Uma janela natural, em El Generalife

24/05/2009 Posted by | Cultura, Mundo, Turismo | | 6 comentários