F5 Pelo Mundo

O baixinho invocado da vila

Ele é baixinho, gorducho e invocado. Mas não estou falando de um personagem de quadrinhos, apesar da comparação ser inevitável. Ele se sente o dono da rua…
Trata-se de um cãozinho sem raça definida, o Tibe, que tem casa, mas prefere ficar fazendo a ronda pela vila onde mora, ou melhor, da qual é dono.

Para a “segurança” dos moradores e a raiva dos funcionários da prefeitura e da concessionária de água, dos garis e pregadores religiosos, o pequeno Tibe põe todo mundo para correr. Ou melhor, todos correm até ver o tamanho daquele cãozinho, todo invocado com seu latido fino, impondo o corpo comprido sob as patas curtas.

Conta-se que o Tibe escolheu seu território ainda filhote. Nasceu em um bairro longe daquela vila de sua propriedade. Mas desde bebezinho fugia de sua mãe biológica e refugiava-se na casa de seus pais adotivos, onde era alimentado e recebia carinho daqueles seres de espécie diferente da sua.

Mas logo logo tratou de espalhar herdeiros pelo novo bairro e pelos bairros visinhos. Os filhotinhos nascidos sempre mostravam características que acusavam a paternidade. Mais tarde, a dominação que eles exerciam em seus endereços confirmou o que todo mundo já sabia: são mesmo prole do Tibe.

Agora, depois de velhinho e impossibilitado de fazer filhotinhos, o Tibe, ainda na vila, vive para outras coisas…

Para apressar o funcionário da concessionária de água na realização da leitura do consumo de água nas residências. Afinal, quem consegue trabalhar sob tanta pressão, ainda mais por parte de um cão, ops, de um proprietário, tão pequeno e escandaloso?

Para fazer os encarregados de limpeza urbana berrarem um ou vários “cala a boca” quando ele se impõe frenética e escandalosamente em frente ao caminhão de coleta de lixo parado para recolher grande volume resíduos.

Para dar mais trabalho aos pregadores religiosos que, agora, têm que andar, ironicamente, munidos de um “cajado” para espantá-lo quando ele insistir na perseguição com seu sonoro latido agudo.

Para fazer o funcionário da Secretaria de Saúde da Prefeitura correr atrás dele com o saco plástico preto da campanha contra a dengue, retribuindo o susto da primeira visita à vila.

O importante é os moradores da vila o acolheram com carinho. Tanto que ele, como dono que é, entra e sai das casas quando bem entende, tira seus cochilos vespertinos na varanda de sua escolha e passeia na rua o dia inteiro, todo convencido de sua superioridade sob os demais de sua espécie.

Este é o Tibe. Mais que o vigia da vila, mais que o dono. É a lenda da vila.

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26/08/2013 - Posted by | Crônicas, Entretenimento |

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