Pegada Ecológica: qual o tamanho do impacto que você causa ao Planeta?
Por Fernanda Pessoa Rossoni
Consiste em ação e reação. Cada um de nós tem uma “Pegada Ecológica”, ou seja, praticamos ações e temos hábitos que deixam um resultado no Planeta Terra.
Imagine se todos consumíssemos uma quantidade de recursos naturais acima da capacidade de reposição do meio ambiente e produzíssemos mais resíduos do que se pode assimilar? É provável que, após determinado tempo, não haveria mais comida, nem água potável e, muito menos, ar puro para todos.
Afinal, a Terra, mesmo possuindo um eficiente sistema de aproveitamento de energia solar e reciclagem de matéria, pode chegar, um dia, à exaustão. É por isto, e para saber se as ações de cada um são sustentáveis, que existe o cálculo da Pegada Ecológica.
Trata-se de uma ferramenta que mede, por meio de questionário, a área de terra e água necessária para sustentar o consumo de alimentos, bens, serviços, moradia e energia de uma determinada população, bem como para assimilar os resíduos resultantes deste consumo. A pegada é dividida em quatro categorias de consumo: carbono (uso de energia em casa e no transporte), alimentação, moradia, bens e serviços.
Após responder um questionário com 15 perguntas, é possível saber “quantas Terras” (medida em “hectares globais) seriam necessárias para atender às necessidades da população do planeta se todos tivessem hábitos de consumo semelhantes ao da pessoa que está fazendo o cálculo. A pegada é expressa em “hectares globais” ou “acres globais”, os quais são unidades padronizadas que levam em conta as diferenças em produtividade biológica dos diversos ecossistemas que são impactados pelas nossas atividades.
A Pegada Ecológica ajuda a perceber, então, o quanto de recursos ambientais utilizamos para sustentar nosso estilo de vida. Isto inclui a cidade e a casa onde moramos, os móveis que temos, as roupas que usamos, o transporte que utilizamos, aquilo que comemos, o que fazemos nas horas de lazer, os produtos que compramos e assim por diante.
Tudo começou no início da década de 90, quanto os cientistas William Rees e Mathis Wackernagel procuravam formas de medir a dimensão crescente dos impactos que causamos no planeta. Em 1996, eles publicaram o livro “Pegada Ecológica – reduzindo o impacto do ser humano na Terra”, o qual apresentava um novo conceito de sustentabilidade ambiental.
Segundo a ONG ambientalista WWF, desde os anos 80 a demanda da população mundial por recursos ambientais é maior do que a capacidade do planeta de renová-los. Dados mais recentes demonstram que se está utilizando 25% a mais do que o que está disponível em recursos. Ou seja, precisamos de um planeta e mais um quarto dele para sustentar nosso estilo de vida atual.
Medindo a Pegada Ecológica, as pessoas tomam conhecimento do efeito de suas ações sobre o meio ambiente. E, a partir do momento em que se conscientizam disto, podem mudar os hábitos e adquirir ações individuais e coletivas em favor de um mundo, para que a humanidade possa viver em equilíbrio com os recursos disponíveis do planeta.
Sugestões de práticas diárias para diminuir o impacto que causam ao meio ambiente não faltam:
Transporte: Ande, vá de bicicleta, faça revezamento de carros ou use o sistema público de transportes com mais frequência. Você deixará de emitir um quilo de dióxido de carbono a cada 3,5 km que você deixar de usar o carro individual.
Carro:
- Faça sempre uma revisão, pois um carro que funciona corretamente consome menos combustível e emite menos gases causadores do efeito estufa.
- Calibre bem os pneus do seu carro. Os pneus bem calibrados evitam um consumo excessivo de gasolina e dão mais segurança.
- Ao comprar, dê preferência a veículos “flex” e que sejam mais econômicos e, se puder, abasteça com álcool e não com gasolina.
Em casa:
- Procure sempre comprar aparelhos eficientes em consumo de eletricidade.
- Desligue as luzes dos ambientes não utilizados.
- Retire das tomadas os aparelhos em stand-by (os que ficam com as luzinhas vermelhas acesas).
- Substitua as lâmpadas principais da casa por lâmpadas fluorescentes compactas, pois consomem 75% a menos que as convencionais.
- Ligue a máquina de lavar menos vezes por semana e passe a verificar sempre seus gastos com eletricidade e água.
- Certifique-se que na sua casa não tem vazamentos e evite o uso abusivo de água para lavar calçadas e carros, usar baldes é sinônimo de melhor aproveitamento da água.
- Instale painéis solares para aquecer a água. Em longo prazo, você poupará energia e dinheiro.
- Se não for instalar os painéis solares, aqueça menos água do banho, pois demanda muita energia.
- Instale um chuveiro de baixa pressão.
- No banho, desligue o chuveiro quando estiver se ensaboando.
- Evite produtos com muitas embalagens, para reduzir a quantidade de lixo.
- Separe o lixo em “reciclável” e “não reciclável”. Os que puderem ser reciclados podem ser encaminhados às associações de reciclagem da sua cidade.
No trabalho
- Ao sair, verifique se as luzes estão desligadas.
- Mantenha os aparelhos de ar condicionado a 25º C.
- Verifique se os aparelhos de ar condicionado estão na sombra. Eles consomem 5% menos se não estiverem no sol.
Para calcular sua pegada individual, acesse o site em português: http://www.pegadaecologica.org.br/
Ou, o site oficial: http://www.myfootprint.org
Fontes:
F5 Rumo às 10 mil visitas!!!
Prestes a completar oito meses de existência, o F5 Pelo Mundo tem muitos motivos para comemorar. Entre eles, estão as quase 10 mil visitas ao longo deste tempo. Nós, da equipe F5 agradecemos a todos pela atenção. Contamos com a sua colaboração para que mais matérias possam fazer parte de nossas páginas!
Acompanhe o F5 no twitter também: www.twitter.com/f5pelomundo
“O Sertão Vai Virar Mar”?
Por Ana Cláudia Mendes
A frase do título acima é conhecida pela maioria dos brasileiros. Verdade é que este trecho da música de Sá e Guarabira faz todo o sentido para muitos moradores de Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Este ano, a chuva chegou mais cedo a Montes Claros e tem durado mais do que o estimado. Segundo dados da Defesa Civil da cidade, somente no mês de outubro choveu cerca de trezentos milímetros a mais do que era esperado para esta época do ano.
Na madrugada do feriado do dia 02 de novembro, bairros nobres da cidade foram alagados. Os locais ficam na área baixa da cidade e próximos ao canal de uma avenida que recebe água de três rios que abastecem o município. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a chuva constante na nascente dos três rios pode ter provocado uma tromba d’água que rapidamente se espalhou pela cidade. No bairro São Luiz, a água subiu cerca de um metro e invadiu casas e a igreja de Nossa Senhora da Rosa Mística.

Avenidas de Montes Claros inundadas pela água do canal do Rio Vieiras, na área central da cidade. (Fotos: Rádio Montes Claros - 98 Fm)
A Defesa Civil informou que aproximadamente 1600 casas foram atingidas pela água, 400 residências foram danificadas, 30 famílias estão desalojadas e oito estão desabrigadas. Foram detectadas 17 áreas de risco. O prefeito da cidade, Luiz Tadeu Leite, decretou estado de emergência.
Hoje, pela manhã, foi realizada uma reunião entre representantes da Divisão de Limpeza Urbana e cerca de 300 funcionários da prefeitura. Na ocasião os trabalhadores foram distribuídos entre os quatro bairros atingidos pela água. De acordo com o chefe da Divisão de Limpeza Urbana, Agenor Pereira, a intenção é limpar toda a cidade o mais rápido possível. O Secretário de Serviços Urbanos, João Batista Ferro, disse que o sistema de drenagem da cidade ainda é deficiente. Um técnico deve vir a Montes Claros para analisar a situação e buscar possíveis soluções para o caso. Segundo especialistas, esta é a chuva mais forte que cai sobre a cidade desde os últimos 50 anos.
A Câmara
Por Délio Pinheiro
A Câmara de Vereadores daquela pequena cidade ficava cheia uma vez por mês. Era quando os edis se juntavam para discutir os assuntos da pauta, apresentar projetos, quase sempre inócuos, como dispor sobre a criação de novas datas municipais e atribuir nomes aos prédios públicos e logradouros diversos. Recentemente havia sido criado o “Dia do Entregador de Leite em Garrafas de Vidro” e o “Dia Municipal dos Lambe-Lambes”, embora essas duas atividades profissionais estivessem extintas na cidade. O último entregador de leite de porta em porta fora, literalmente, atropelado pelo caminhão de uma rica empresa de laticínios que comprava, a preços módicos, o leitinho produzido pelas vacas do município, e o Juca Retratista, que preservara a memória fotográfica do município nas últimas quatro décadas, caíra em profunda depressão depois que inventaram as “tenebrosas máquinas digitais”, segundo seu entendimento. Desde então ele tornara-se arredio e chegava a passar semanas inteiras no meio da mata tirando fotografias de pássaros imaginários, com sua antiga máquina, logicamente analógica.
Um vereador entrara com o projeto de denominar o alambique comunitário recém construído de “Alambique Municipal Jerônimo Pires”, uma homenagem ao farmacêutico prático da cidade, mas o tributo ficara estranho à beça, na medida em que o profissional gostava de exceder-se nos destilados e ganhara, muito a propósito e a contragosto, o nada lisonjeiro apelido de “pudim de cana”.
Em torno dos trabalhos da Câmara gravitavam algumas figuras pitorescas. Uma delas era a “Ana Doida”, que não perdia nenhuma reunião e ficava sempre na última fileira da platéia ouvindo a fala empolada de certos vereadores, transmutando-as em frases de amor em seu juízo desterrado. Ela dizia que todos os vereadores eram seus namorados, com exceção do professor de Letras, Aroldo, que era homossexual militante.
Outra figura que sempre aparecia nas reuniões da Câmara era o Bira, um baixinho irritadiço que tinha um parafuso a menos, assim como “Ana Doida”, mas que, ao contrário da anciã, era dado a falatórios em praça pública, sentindo-se o décimo vereador daquela casa, chegando ao extremo de interromper os verdadeiros vereadores, como da vez em que, ao discordar da fala anasalada do vereador Aroldo, disparou, cheio de si: “Pela orde, excrecência!”.
Naquela manhã o presidente da Câmara resolvera discutir o autismo, já que alguns moradores do município padeciam daquela característica. Entre as ideias estava, claro, a criação do “Dia Municipal do Austista”.
Aquele assunto, assim que foi mencionado da tribuna, tirou Bira do sério. Falava-se em valorizar os austistas. Na primeira brecha, ele emendou, lá do meio da respeitável plateia: “Abaixo esse povo alto! Precisamos discutir o baixismo nesta casa, incelença”, disparou.
“Ana Doida”, fez que sim com a cabeça, concordando com aquele pitaco embasado.
Encantos de uma Esquina Qualquer
Por Délio Pinheiro
Olhos atentos, máquina fotográfica sempre por perto. É assim que costumo andar. Nunca se sabe quando um bom flagrante se desenhará em nossa frente ou quando uma inspiração surgirá, nítida e bela, capturada no ínfimo instante de um clique.
No sábado me deparei com uma mamãe beija-flor, que fez seu ninho na garagem da rádio Itatiaia, onde trabalho. Mesmo com o movimento dos carros e das pessoas ela permanece impassível, aninhando o melhor que pode os dois minúsculos ovinhos sob suas penas de mãe.
Ver um beija-flor imóvel durante vários dias, logo ele que voa freneticamente, é uma cena inspiradora para se dar vida a uma boa crônica. Eu já estava decidido a abordar este assunto, quando apareceu uma outra inspiração, ainda melhor. E foi logo na esquina, literalmente.
No bairro Melo tem uma residência imponente, que se parece com aquelas aristocráticas mansões americanas, nas proximidades da Funorte, e seu jardim é um alento para os olhos cansados que passam diariamente naqueles cantos, inclusive eu que passo pela citada esquina sempre que retorno para casa.
No instante em que passei por lá, após uma manhã de trabalho, vi a seguinte cena. Uma moça vestida com um hábito puído e ocre, sem que ninguém pedisse, cortava minúsculos raminhos apodrecidos de uma palmeira, que se projetava para o lado de fora do belo jardim.
Ela cuidava da planta, que nascera para embelezar aquele jardim distinto, com a mesma acuidade e afinco que a mamãe beija-flor cuidava de seus “filhinhos” no ninho ali perto. E a moça, bonita e recatada, cumpria sua missão com serenidade, contribuindo, com seu gesto anônimo, para deixar a planta, e a mansão, ainda mais viçosa.
A menina-moça era uma dessas jovens que participam da comunidade “Toca de Assis” e suas vestes remetiam imediatamente a um dos santos do catolicismo, São Francisco, cuja história de simplicidade e amor ao próximo continua a inspirar jovens em todos os lugares da Terra.
Ela, como tantos outros que dizem ouvir o chamado de Deus, fazem voto de pobreza e se vestem e vivem seus dias com o máximo de simplicidade que podem. Por isso a cena causou-me tanta admiração.
Aproximei-me com cuidado, com receio de assustar aquele beija-flor divino,
e pedi para registrar aquele momento com minha máquina fotográfica. Momento este que, em sua involuntariedade, se fez tão belo.
O contraste do luxo excessivo da moradia e da simplicidade tocante daquela mocinha, verdadeiramente bonita, embora este adjetivo não lhe deva causar grande impressão, devido a seu voto de castidade, me atingiu profundamente, e me fez escrever essa crônica.
Um pequeno e irrelevante fato para olhares mais descuidados, mas elementos certeiros para se refletir sobre a importância que damos a vida e como ela pode ter significado se vista com o ângulo correto, pelo viés da moça anônima vestida como um padre da Idade Média, que cuidou da planta da mansão da esquina, ou da mamãe beija-flor, que naquele mesmíssimo instante, talvez estivesse pensando na sensação boa de voar, mesmo resignada em sua posição de mãe vigilante.
Lemierre escreveu que “mesmo quando um pássaro caminha, ele sente que tem asas”. A frase pode ser adaptada, sem prejuízo algum, para a moça que não disse o nome e que deixou que eu a fotografasse, contanto que a foto não fosse parar nas páginas indiscretas da Internet: “Mesmo com suas vestes simples e seu voto de humildade, a menina sabe que dentro de si tem uma riqueza imensurável”.
Valor nutritivo de pratos típicos da Chapada Diamantina
Por Carla Santana

A culinária da Chapada Diamantina segue os traços históricos do lugar, por meio de uma junção das influências de escravos e garimpeiros que viveram por lá nos séculos XVII e XVIII, respectivamente. Um dos pratos mais tradicionais é a galinha ao molho pardo, feita com o sangue da própria ave, além da carne-de-sol. Os acompanhamentos ficam por conta do arroz com pequi e ensopado de carne-seca com banana verde, além de uma combinação de banana da terra com abóboras e feijão verde. “De modo geral, são comidas que repõem todas as energias gastas nas visitas e atividades físicas realizadas por turistas que visitam o lugar”, afirma a conselheira do Conselho Regional de Nutricionistas da 5ª Região (CRN-5), Ana Paula Passos.

O feijão verde combinado com abóbora e banana da terra é tradição
Segundo a nutricionista, o sangue das aves contém pouquíssimos nutrientes importantes para humanos, servindo basicamente para dar o sabor à galinha ao molho pardo. O prato tem um alto teor de gordura, por isso é melhor não exagerar. “Para evitar a ingestão de impurezas, é preciso cozinhar bem a ave”, diz. A carne do sol, rica em proteína, pode ser mais saudável se for assada, ao invés de frita. O feijão verde não é mais do que a vagem do feijão seco, colhida antes do desenvolvimento das sementes. Além de ser rico em ferro, ele protege o sistema cardiovascular, devido ao seu elevado conteúdo de fibra, potássio, magnésio e ácido fólico.
Como as temperaturas da região da Chapada são baixas de abril a novembro, os habitantes não têm muito costume de comer saladas frias. Ainda bem que como fonte de fibras, eles consomem mamão verde e o famoso godó, prato que mistura banana e abóbora e que “sozinho serve como uma boa refeição, sem precisar de acompanhamento”, garante Ana Paula. A abóbora também é fonte de fibras, embora seu valor nutricional seja maior pela grande quantidade de Vitamina A e betacaroteno contidas na hortaliça.
Pequi: rica em vitaminas
O Pequi, fruta típica do cerrado brasileiro, de cheiro forte e adocicado e casca verde-escuro, tem várias camadas internas. Primeiro há uma polpa verde-claro com a consistência de um abacate, que não é aproveitada pelas receitas. Dentro dela está a melhor parte: uma semente amarela cuja consistência, cor e até mesmo o cheiro lembram a manga. É justamente essa parte do pequi que vai para a panela. Mas é preciso ter cuidado ao saboreá-lo: o caroço, bem macio, não deve ser mordido, mas sim raspado com os dentes, pois dentro dele há vários espinhos que podem ferir.
O alimento é considerado pelos moradores da Chapada afrodisíaco para os homens e fortificante para as mulheres grávidas. Essa segunda qualidade pode ser verídica devido à alta quantidade de vitamina A do pequi, já que 100 gramas de polpa comestível de pequi contém 20 mil miligramas de vitamina A, 12 mg de Vitamina C, 30 mg de vitamina B, 463 mg de riboflavina e 387mg de niacina. Toda a população pobre da região ocupada pelo pequi, de setembro a dezembro, consome o fruto em boa quantidade, com arroz, carnes, angu e em sopa, doces e na cachaça.
Frutas cítricas
A Chapada é uma região muito propícia para o cultivo de frutas cítricas. Um exemplo é a tangerina “Ponkan”, rica em vitamina C e de qualidade superior a das desenvolvidas em outras lugares do país. Outro fruto pouco conhecido nos grandes centros urbanos e muito comum na região é a mangaba, rica em vitamina A, B1, B2, B3 e Vitamina C. É eficaz contra úlcera, herpes e tuberculose; tem ação digestiva; contém fibras, carboidratos, cálcio, ferro e fósforo. “A mangaba ajuda também a prevenir a cegueira e oferece benefícios para a pele e o cabelo”, conta a conselheira do CRN-5, Ana Paula Passos.

O gosto da mangaba é bem diferente para turistas de primeira viagem
Ainda segundo a nutricionista, são vários os motivos para comer muitas frutas e vegetais, seja na Chapada ou em qualquer outro lugar. Alimentos de origem vegetal ajudam a diminuir a gordura na dieta, controlam o peso corporal e combatem doenças. “Vivemos hoje como se estivéssemos retrocedendo no tempo e buscando hábitos de vida que tinham nossos antepassados. É como se quiséssemos viver e nos alimentar como faziam nossos avós. Tudo isso em nome na qualidade de vida”, conclui.
Não é Só o Mal Que se Expande
Por Délio Pinheiro
Perdi um avô vitimado por aquela doença que os mais velhos se recusam a dizer o nome. Como se a simples menção de sua terrível alcunha pudesse trazê-la perigosamente para perto, ou mesmo pudesse fazê-la se instalar em algum órgão sadio de nosso corpo. Refiro-me ao câncer, evidentemente. Como tenho esse histórico na família, e que vitimou, além de meu avô, alguns tios, procuro me informar acerca dos tratamentos que a medicina coloca à disposição todos os anos. Certamente podemos comemorar saltos qualitativos formidáveis, avanços estes que chegaram tarde demais para o avô que sequer tive a honra de conhecer, embora carregue comigo seu nome e sobrenome acrescido do agnome Neto, fato este que me orgulha bastante.
Por falar em orgulho, Montes Claros nutre especial apreço pela Fundação Sara, instituição sem fins lucrativos que visa acolher, com carinho e dedicação, crianças fustigadas pelo aceno indistinto dessa doença terrível, que tenta, muitas vezes em vão, ceifar o brilho de crianças tão vivazes. Grande parte do êxito desta batalha contra a doença, feita com quimioterapia, radioterapia e muito sofrimento, se deve ao empenho de instituições como a Fundação Sara, comandada pelo casal Marlene e Álvaro.
Na semana passada foi anunciada a expansão da Sara para Belo Horizonte. Seu trabalho, sério e abnegado, agora também estará à disposição das crianças de todo o Estado de Minas, já que para a capital são conduzidos os casos mais complexos, oriundos dos mais recônditos cantinhos de nosso Estado. E a presença da fundação nas alterosas representará um alento para famílias carentes que buscam obstinadamente a cura para seus filhos, que, muitas vezes, chegam a desconhecer a complexidade do mal que carregam e do quão sofrido pode ser o tratamento.
Estive na Fundação Sara na semana passada, na condição de mestre de cerimônias voluntário, e pude ver, ciceroneado pelo casal Marlene e Álvaro, o esmero com o qual eles cuidam daquelas crianças e o conforto com o qual elas são abrigadas. Uma situação bem diferente, certamente, da vida modesta que levam em suas cidades de origem. Álvaro, que além de seus predicados conhecidos traz uma qualidade adicional, já que é serranopolitano assim como eu, disse que a Fundação Sara passou a construir casas, na medida de suas possibilidades, para estas famílias e que todos, ao partirem de lá rumo a seus lares, depois do período de acolhimento, levam consigo cestas básicas. É uma condição mínima para se assegurar o êxito do tratamento longe dos cuidados, das camas confortáveis e das refeições balanceadas da Fundação Sara.
Os olhos de Marlene e Álvaro brilham intensamente quando eles falam sobre a fundação, erigida a partir de seu drama particular com a perda da pequena Sara, cuja luta pela vida emocionou Montes Claros há uma década. Sara certamente não sucumbiu à toa. Sua vida teve um significado, ao contrário de tantas outras que passam insípidas por essa terra. E Sara, agora devidamente transfigurada em um anjinho, vive presente ali, na esperança de cada mãe, no olhar curioso daquelas crianças e no coração bondoso de seus pais Álvaro e Marlene, que atraem para si outras pessoas de coração bom. E estes, os colaboradores, injetam recursos e carinho, subsídios para a Sara crescer cada vez mais e ajudar centenas de crianças, quiçá milhares, em Minas Gerais.
Sugeri a Álvaro que escrevesse um livro sobre a história da fundação, desde a luta renhida de sua filha pela vida até os dias atuais, perfazendo mais de dez anos de trajetória. Ele disse-me que já tentou, mas que as lágrimas inundam o papel, a alma e o coração sempre que ele tenta organizar as informações disponíveis. Mas uma dessas histórias eu quero compartilhar com vocês. Há algum tempo a Fundação Sara recebeu uma paciente, uma mocinha de treze anos, vinda de uma pequena cidade da região. O caso dela, segundo os médicos, era irreversível. Não havia recursos disponíveis na ciência para ajudá-la a realizar um sonho, como tantas meninas-moças. Ela sonhava com uma festa de debutante dali a dois anos. Sabendo disso a Fundação Sara se organizou e realizou uma grande festa, com valsa, príncipe, convidados, refrigerantes e música alegre em seu aniversário de quatorze anos.
Se a vida, e seus desígnios misteriosos, pregou essa peça na moça de sorriso esperançoso, não havia mal nenhum em trocar o “14” pelo “15” no alto do bolo. E assim foi feito. A festa foi linda. A mocinha realizou seu sonho e nem mesmo sua morte, acontecida semanas depois, tirou-lhe a chance de realizar esse projeto derradeiro: o seu baile de debutante.
Filtro Solar: O Maior Aliado de uma Pele Perfeita
Por Ana Cláudia Mendes
Cremes, loções, esfoliações, tratamentos de última geração. Na busca pela pele perfeita, muitas pessoas acabam se esquecendo do maior aliado contra o envelhecimento precoce, manchas e câncer de pele: o protetor solar. E se engana quem pensa que dias nublados dispensam o uso do produto. De acordo com a dermatologista Gisele Barbosa, é recomendável aplicar filtro solar sempre, pois, mesmo quando o sol não aparece estamos expostos aos efeitos da radiação solar. Em entrevista ao portal Ig, o dermatologista Ademir Junior afirma que hoje é possível encontrar uma diversidade cada vez maior de filtros solares: versão em gel (para peles oleosas), cremes (recomendado para peles secas), fluidos, loções, sprays e, inclusive, protetores com tonalidade de base para corrigir imperfeições.
A médica Anna Verônica Ziccarelli, especialista em Medicina Estética da Clínica La Belle, adverte que o sol é responsável por 70% do envelhecimento da pele. Ziccarelli explica que isto acontece porque o sol emite dois tipos de radiações: UVA e UVB. “O raio UVA é responsável pelo envelhecimento, enquanto o UVB é o que queima e traz o risco de câncer”, afirma.
No momento de escolher o protetor solar é preciso levar em conta fatores como: cor e tipo de pele e ainda possíveis sensibilidades cutâneas a determinados produtos. Pessoas com pele morena podem usar protetor com FPS mais baixo. Peles mais claras pedem bloqueadores solares (FPS acima de 20).
Para aqueles que desejam aliar proteção e praticidade, a dermatologista Gisele Barbosa tem algumas sugestões de filtros solares.
Protetor Solar Anthelios Fluido FPS30 – Oil-Free (Sem Óleo)

- Previne o envelhecimento;
- Pele extremamente sensível;
- Maior proteção contra queimaduras solares;
- Fluidez: textura micro-aerada, não contém óleo;
- Indicada para todos so tipos de pele, mesmo a pele oleosa;
- Não comedogênico;
- Testado sob controle dermatológico;
- Fórmula inclui a água termal da La Roche-Posay;
Fluidez: textura micro-aerada que não contém óleo, é tão leve que convém a todos os tipos de peles, mesmo as oleosas.
Marca: La Roche-Posay.
Conhecida no Brasil por Hélioblock®, a linha de La Roche Posay (L´Oreal) que no mundo inteiro já é conhecida por seu novo nome Anthelios.
Outros produtos da marca:
- Anthélios Helioblock XL Fluide Extrême 60 50ml (se pele muito oleosa ou acneica)
- Anthelios Helioblock Dermo Pediatrics Protetor Solar Infantil Fps 60 Com 100ml (também para crianças)
- Anthélios Hélioblock W 30 Gel protetor solar fps 30 (também específico para peles oleosas e acneicas)
Avène 50 Creme 50ml

- 100% filtro físico;
- Para peles intolerantes, alérgicas e fragilizadas;
- Resistente à água;
- Sem perfume e sem filtro químico.
Spectraban T loção cremosa

- Tem cor de base (“T”);
- 100% filtro físico
- Tem de 60 mL e 100 mL
Photoderm FPS 100 Creme Tinto

- Hipoalergênico
- Tem cor de base
- Creme é para pele seca
- Loção e fluído para pele mais oleosa
- Existe também o produto sem a cor de base
ISDIN ULTRA 65 Color

Fotoprotetor ISDIN® Ultra FPS 65 normal e Fotoprotetor ISDIN® Ultra FPS 65 Color, com especial textura e efeito base que cobre e disfarça imperfeições da pele; e Fotoprotetor ISDIN® Ultra FPS 90.
O grande diferencial da nova linha é a garantia de alta proteção contra as radiações UVA e UVB, por meio da utilização de filtros solúveis em água e emulsão não-oleosa.
Fabricado pela Medley.
MINESOL® PROTECT – FPS 60

Ação Prolongada: MINESOL® Protect FPS 60 oferece proteção UVA-UVB de amplo espectro e longa duração.
Sua fórmula oil free oferece hidratação prolongada, pois possui emolientes, umectantes e Vitamina E, que ajuda no combate aos radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento precoce da pele.
- Pele extremamente sensível ao sol
- Embalagem: Loção 50ml
- Hipoalergênico
- SEM PERFUME
- Fabricado pela Jonhson & Johnson
Fontes: Site da Dermatologista Gisele Barbosa, IG
BR 381: a Rodovia da Vida
Por Fernanda Pessoa Rossoni

Outdoor colocado nas margens da BR 381: incentiva o motorista a dirigir com cautela, afinal, a família espera que ele chegue bem.
“Tem sempre alguém esperando por você”, dizem os outdoors colocados ao longo da BR 381 (rodovia que liga Belo Horizonte às cidades do Vale do Rio Doce), no trecho da cidade São Gonçalo do Rio Abaixo. Com este lema, a campanha “BR 381, a rodovia da vida”, a prefeitura do município visa conscientizar os motoristas e terminar, de uma vez por todas, com a fama que via possui de “rodovia da morte”. O objetivo é incentivar o motorista a obedecer à sinalização de trânsito (principalmente a do limite de velocidade), não consumir álcool quando for dirigir e verificar periodicamente as condições do veículo.

Outro tema utilizado nos outdoors foi a espera dos amigos pelo condutor do veículo.
A BR 381 é conhecida nacionalmente como “rodovia da morte”, devido à grande quantidade de acidentes que ocorrem diariamente, a maioria devido à imprudência dos condutores. Além disto, há muitas curvas sinuosas que, aliadas ao volume aproximado de 150 mil veículos que circulam diariamente pela BR, tornam o trânsito muito perigoso.
Pode-se verificar, também, o grande número de caminhões que circulam no trecho Governador Valadares (GV) – Belo Horizonte (BH). Daí o fato de estes veículos estarem envolvidos, direta ou indiretamente, com a maioria dos acidentes. Chama a atenção, ainda, a quantidade de Combinações de Veículos de Carga (CVC) e as Combinações de Transporte de Veículos (CTV), ou seja, as “cegonheiras”, o “bitrem” e as longas carrocerias.
Nos escassos trechos da rodovia em que a ultrapassagem é permitida, os carros de pequena potência não conseguem realizar essa manobra. Isso ocorre por vários motivos: há muitos caminhões em comboio e não há espaço suficiente entre eles; as composições têm excessivo comprimento; os lentos caminhões se põem a ultrapassar outros caminhões embolando o trânsito e criando risco para todos os usuários.
Devido a estes problemas que ocorrem na BR 381 e à imprudência e falta de paciência dos motoristas, a equipe da campanha “Rodovia da Vida” divulga algumas sugestão aos condutores:
- Antes de tudo, verifique as condições do veículo: pneus, freios, amortecedores, faróis, óleo, etc.
- Para viagens de longa distância, tenha anteriormente uma boa noite de sono. Durma o necessário para acordar descansado.
- Caso fique com sono durante o caminho, a melhor solução é parar num posto policial ou em algum outro local seguro e dormir por uns 15 minutos. Você despertará novamente reanimado. Cafezinhos, energéticos e rebites não são recomendados. Para acabar com o sono, só dormindo.
- Respeite as placas de sinalização, elas estão lá para sua segurança, indicando locais de perigo eminente, obras, desvios e todas as informações necessárias.
- Nos locais onde estiver chovendo, reduza a velocidade. Existe o risco de a água atravessar a pista e provocar o que chamamos de “aquaplanagem”. Neste caso você perderá completamente o controle do veículo. É um dos fatores de maior incidência de acidentes durante o verão.
- Dirija com os faróis acesos, mesmo durante o dia. Isto chama a atenção do motorista do veículo que vem em sentido oposto na pista simples ou até mesmo no caso de uma ultrapassagem em pista dupla.
- Quando viajar, tenha paciência. Em alguns períodos do ano, são comuns muitos pontos de congestionamento. Como na BR-381 existem muitos desvios, esta situação se repetirá várias vezes.
Além da colocação dos outdoors, foi criado um hotsite e, no dia do lançamento da campanha (10/06) houve uma blitz educativa na rodovia (em frente aos postos de combustível mais próximos da cidade) com distribuição de “kits” educativos aos motoristas.
Enquanto a rodovia não é duplicada, ações como a campanha “Rodovia da Vida” são elogiadas por moradores e prefeitos da região do Vale do Rio Doce.

A espera de um filho que está para nascer também é um tema explorado na sensibilização dos motoristas.
Proposta de cobrança de pedágio para duplicação da BR 381
Já foi sugerida pelo governo federal a colocação de quatro pedágios na BR 381 antes do término da duplicação do trecho entre GV e BH, extensão de 307 km. Isto gerou muita revolta nos moradores da região. De acordo com o presidente da Comissão de Transporte da Câmara Municipal de Ipatinga, Nardyello Rocha, os moradores foram “surpreendidos com a substituição da antiga proposta [de duplicação] com essa nova [de cobrança de pedágio]. Agora, eles [ANTT] querem que nós paguemos por esse pedágio por seis anos para que só depois tenhamos a sonhada duplicação.”
“Seríamos agraciados por um projeto do DNIT nos moldes da Fernão Dias (entre São Paulo e Belo Horizonte). Mas agora querem nos ‘bitributar’, ou seja, cobrar duas vezes um imposto que nós já pagamos com o IPVA. Nessa proposta, um caminhoneiro pode pagar até R$ 160 em apenas um dia se for de BH a Valadares e depois voltar para a capital”, afirmou Rocha.

A campanha ressalta que até mesmo um animal de estimação aguarda a volta do motorista que dirige pela BR 381
Fontes:
http://www.saogoncalo.mg.gov.br/
A humildade de um santo
Por Délio Pinheiro
Foi revelado por um ex-secretário do Papa João Paulo II, monsenhor Stanislaw Dziwisz, que o pontífice adorara dar suas escapulidas do trono de Pedro e se divertir, como um mero mortal, nos Alpes italianos. As escapadas não teriam cessado nem após o atentado que o Papa sofreu em 1981.
A revelação está no livro “Testemunho”, de autoria do monsenhor. Segundo ele, era preciso enganar a guarda suíça, que faz a segurança do Vaticano. “Partíamos às 9 da manhã, no carro do padre Josef, para não despertar suspeitas nos guardas suíços”, relata Dziwisz. Assim que chegaram à estação de Ovindoli, o Papa vestia-se com casaco, gorro e óculos. “Ele ficava na fila como os outros, mas, por segurança, um de nós ficava na frente dele e outro ficava atrás”, contou o ex-secretário. “Pode parecer incrível que ninguém o tenha reconhecido. Mas quem podia imaginar que o Papa poderia ir esquiar assim?”, indaga o religioso.
Bela pergunta essa. É de conhecimento público que o Papa polonês praticava seu esporte favorito, o esqui. Mas imaginá-lo incógnito como um simples esquiador seria uma tremenda prova da humildade do pontífice, já que o poder do papa, sobretudo na Itália, é imenso. Vale mencionar que bastaria um desejo seu de esquiar em qualquer lugar, para que a pista fosse interditada aos outros seres humanos e o Papa teria a montanha gelada todinha pra si. Acredito até que se ele quisesse esquiar no Pão de Açúcar, as autoridades brasileiras dariam o seu famoso “jeitinho”.
Mas não se pode negar que essa revelação é bastante oportuna, já que surgiu em pleno processo de canonização do pontífice, e ela pode ser interpretada como uma tentativa de se acelerar esses trâmites. E esse é o tipo de factóide que conta muitos pontos no intricado processo.
Um outro fato mundano, entretanto, pode retardar um pouco mais esse desfecho: a correspondência que o falecido Papa mantinha com uma amiga de juventude, e que apareceu agora. Não sei que tipo de revelação poderia depor contra o ex-líder da maior religião cristã do mundo, mas a análise desse conteúdo é visto como condição sine qua non para que o processo burocrático o ascenda à condição de santo no panteão celestial da igreja de Roma.
Mas voltemos aos passeios do Papa nas estações de esqui. Lembro-me de um livro que li chamado “As sandálias do pescador”, onde um Papa fazia seus passeios incógnitos, no meio do povo. E acredito que esse talvez seja o melhor termômetro para se avaliar o sucesso de um pontificado, ou de um governo. Ouvir a voz rouca das ruas, angariar um pitaco sincero aqui e outro acolá pode responder à pergunta essencial:
Será que estou agradando?
Acho até que o presidente Lula deveria fazer o mesmo. Imaginemos nosso presidente acordando às três da manhã e se dirigindo até uma agência da Caixa, a fim de fazer algum dos recadastramentos mensais exigidos pela insaciável burocracia. Chegando lá, para sua surpresa, ele se depararia com uma fila. Veria estupefato que algumas pessoas vivem de vender lugares por lá, e em outros lugares onde as senhas são escassas. Depois, alegando uma dor qualquer, ele pediria para ser atendido em um hospital público e veria o quanto os atendentes são ríspidos e as vagas são raras.
Pensando bem, até que vai ser bom o Papa esportista se tornar santo, pois de lá, do firmamento, ele poderá proteger todos nós. Poderá impedir, por exemplo, o avanço belicoso do anão sul-coreano e seus mísseis cada vez mais potentes. Talvez até consiga resolver alguns dos grandes problemas nacionais: desemprego, violência e corrupção.
Pensando melhor ainda, acho que vai ser muito trabalho para um santo só.






